Existe um cansaço específico que nasce do racismo. Não é apenas o cansaço do trabalho ou da vida cotidiana, mas o cansaço de precisar provar constantemente que se é capaz, honesto, inteligente, trabalhador.
A escritora Grada Kilomba descreve o racismo como uma experiência cotidiana de trauma repetido. Não é apenas uma violência pontual, mas uma repetição constante de pequenas violências que se acumulam na memória e no corpo.
Esse acúmulo produz cansaço, ansiedade, hipervigilância e, muitas vezes, adoecimento.
O racismo não produz apenas desigualdade econômica.
Ele produz sofrimento psíquico.
E esse sofrimento raramente é reconhecido como problema social. Muitas vezes ele é tratado como problema individual, quando na verdade é consequência de uma estrutura coletiva.
