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O racismo não é evento, é uma experiência cotidiana

Muitas pessoas ainda pensam o racismo como um evento isolado: uma ofensa, uma violência explícita, uma discriminação evidente. Mas o racismo, na maior parte do tempo, não aparece como evento. Ele aparece como rotina.

Ele aparece no segurança que observa mais tempo, no currículo que não recebe resposta, na piada que todos dizem ser “brincadeira”, na abordagem policial seletiva, na ausência de pessoas negras em determinados espaços de poder, na surpresa quando alguém negro ocupa um lugar de prestígio intelectual.

O racismo cotidiano é silencioso, repetitivo e cumulativo. Ele não precisa gritar para existir. Ele funciona como estrutura.

Silvio Almeida define isso como racismo estrutural: não se trata apenas de atitudes individuais, mas de um sistema que organiza oportunidades, violências e desigualdades de forma racializada.

Uma etnografia do racismo no Brasil não começaria necessariamente em grandes conflitos raciais, mas nos pequenos episódios diários que, somados, produzem trajetórias desiguais.

O racismo não é apenas aquilo que acontece de vez em quando.

É aquilo que acontece todos os dias, às vezes de forma quase invisível.

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