Em publicação na rede social X neste domingo (12), o Ministro do STF Gilmar Mendes defendeu Jorge Messias, o indicado de Lula à corte e criticou a imprensa. Ao classificar as críticas como “vazias e apressadas”, Gilmar não está rebatendo argumentos; ele está marcando território.
Gilmar Mendes costuma atuar como uma espécie de termômetro dos bastidores de Brasília. Quando ele destaca o perfil conciliador de Messias, o respeito à separação dos Poderes e a capacidade de equilíbrio, está, na prática, oferecendo um selo de legitimidade antecipado. As indicações ao STF são sempre tensionadas por disputas políticas e simbólicas, e essa fala funciona como um amortecedor ou, dependendo do ponto de vista, como um aviso de que há forças relevantes alinhadas em torno do nome de Messias.
E é justamente por isso que a declaração não pode ser lida como um comentário qualquer. Gilmar não costuma falar por falar. Sua intervenção tem destinatário, ainda que não explicitado: pode ser a própria imprensa, setores do Judiciário, atores políticos resistentes ou até mesmo aqueles que pretendem elevar o tom contra a indicação. Em Brasília, recados raramente vêm com endereço escrito no envelope. Mas quase sempre chegam a quem precisam chegar.
