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O silêncio dos inocentes (de votos)

Há algo de calculado e, ao mesmo tempo, desgastante no silêncio de Ciro Gomes sobre uma eventual candidatura à Presidência. Quando questionado, ele mantém o suspense, como se ainda estivesse no centro de um palco que, na prática, já se reorganizou sem ele. Essa ambiguidade não soa estratégica; soa indecisão. E toda essa hesitação pode cobrar um preço alto, sobretudo de quem já teve diversas oportunidades de se firmar como alternativa, mas sem êxito.

O histórico recente pesa. Em 2018, diante de um segundo turno decisivo, Ciro preferiu se ausentar do país em vez de assumir uma posição clara. Já em 2022, anunciou apoio a Lula, porém um apoio xoxo, que se limitou a um discurso visivelmente contrariado, evitando o enfrentamento direto em um momento crucial para o país. É um padrão de comportamento que fragiliza sua imagem pública. E política é, sobretudo, capacidade de decisão nos momentos em que o país exige clareza.

Ciro é uma figura controversa, é verdade, mas o eleitor não cobra perfeição; cobra posicionamento. Ninguém gosta de quem não se posiciona, especialmente em um ambiente político cada vez mais polarizado, onde a ausência de definição é interpretada como conveniência ou cálculo pessoal. Se pretende, de fato, voltar ao centro do debate nacional, Ciro precisa abandonar o mistério e assumir um lado. Do contrário, continuará orbitando a política brasileira como uma promessa que nunca se concretiza.

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