O tempo masculino tradicional foi organizado em torno da carreira profissional e da vida pública. O tempo das mulheres sempre foi mais fragmentado.
Arlie Russell Hochschild mostrou que muitas mulheres vivem uma dupla jornada: trabalho remunerado e trabalho doméstico. Isso produz uma experiência temporal diferente, marcada pela simultaneidade de tarefas.
Mulheres fazem várias coisas ao mesmo tempo: trabalham, cuidam, respondem mensagens, organizam a casa, planejam o dia seguinte. O tempo feminino raramente é linear; ele é interrompido, sobreposto, reorganizado constantemente.
Essa diferença temporal produz também uma diferença na forma de pensar o futuro. Muitas mulheres planejam não apenas suas próprias vidas, mas a vida de outras pessoas ao redor.
Talvez por isso mulheres desenvolvam uma capacidade tão grande de planejamento, antecipação e organização. Não é uma característica natural; é uma necessidade social.
