A noite de segunda-feira (2) na 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia foi marcada por um episódio de extrema tensão que culminou na prisão e algemação do advogado Cláudio Martins Lourenço. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) denunciou que o profissional foi agredido fisicamente por agentes da unidade enquanto exercia sua função. O caso ganhou repercussão nacional após vídeos gravados por testemunhas registrarem parte da abordagem policial.
Segundo a OAB-DF, o defensor teria ido à unidade policial especificamente para prestar assistência a um cliente. Este cliente, por sua vez, já havia relatado ter sofrido agressões dentro das dependências da delegacia, o que motivou a presença de Lourenço no local. A entidade afirma que o advogado foi detido mesmo estando do lado de fora do prédio, o que agravaria a conduta dos policiais envolvidos na ação.
Por outro lado, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apresenta uma versão distinta para os fatos. A corporação afirma que, devido à necessidade de utilizar gás de pimenta para conter um detento, o delegado plantonista ordenou que todos os presentes deixassem o recinto por questões de segurança. De acordo com a nota oficial, o advogado teria desobedecido reiteradamente a ordem de evacuação e se recusado a sair da delegacia.
A polícia detalhou que o cenário era de risco, uma vez que dois presos por tráfico de drogas estavam no saguão no momento da confusão. Após ser retirado do local para evitar intoxicação, o advogado teria se negado a fornecer seus dados de identificação aos agentes. Diante da persistente desobediência e do que a polícia classificou como “recalcitrância”, foi dada voz de prisão ao profissional.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um diálogo ríspido entre Lourenço e um dos policiais. Nas imagens, o agente ordena que ele saia, enquanto o advogado questiona o tom da abordagem e pede para ser tratado com respeito. O embate verbal escala rapidamente até o momento em que os policiais seguram o advogado pelo braço e o conduzem para o interior da unidade, momento em que ele exclama estar sendo preso.
A PCDF justificou o uso de algemas alegando que o profissional estava com o “ânimo exaltado”, o que exigiu o uso progressivo da força. A Comissão de Prerrogativas da OAB foi acionada imediatamente, comparecendo à delegacia para acompanhar a lavratura do Termo Circunstanciado. A Ordem criticou o fato de o procedimento ter sido homologado pelo próprio agente envolvido no conflito, apontando um possível conflito de interesses.
A gravidade do ocorrido levou a cúpula da OAB-DF a se reunir, nesta terça-feira (3), com as mais altas autoridades do Distrito Federal. O encontro contou com a presença do governador Ibaneis Rocha e do procurador-geral de Justiça, Georges Seigneur. Durante a reunião, a entidade manifestou seu forte repúdio ao que considera um grave atentado contra as prerrogativas da advocacia e um abuso de autoridade.
Como desdobramento imediato, o governador Ibaneis Rocha determinou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaure uma investigação rigorosa sobre a conduta dos policiais. A OAB-DF prometeu adotar todas as medidas judiciais cabíveis, reiterando que a agressão a um advogado no exercício da profissão é inaceitável e que o caso será acompanhado de perto para garantir a responsabilização dos envolvidos.
