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Objetivo da santa disputa entre bons e maus é a subversão

O presidente da República, Jair Bolsonaro, participa do hasteamento da bandeira, no Palácio da Alvorada, em comemoração ao Dia do Diplomata.

Considerado a base da biologia evolutiva, o livro A Origem das Espécies, publicado pelo naturalista, biólogo e geólogo Charles Darwin em novembro de 1859, introduziu a teoria científica de que as formas de vida evoluem ao longo das gerações. Na obra, dois pontos merecem destaque: a seleção natural e o princípio da ancestralidade comum. O entendimento principal é o de que os organismos mais aptos sobrevivem. Eis aí o cerne da questão. Quem é e quem não é apto? Qual o critério para separação dos grupos? Até agora, o que temos de concreto é a conclusão de um dos potenciais candidatos à Presidência da República.

Segundo os mastodônticos conceitos de sua santidade, a disputa a ser definida em outubro é entre os bons e os maus. Provavelmente ele não saiba, mas a diferença está justamente no coração de quem julga. Como dizia minha avó, fora o branco dos olhos, não somos todos iguais. O Brasil que ele pensa continuar governando tem todas as cores e todas as cores importam. Enfim, ser bom ou ruim depende da forma como o tal candidato avalia as características de cada um dos cerca de 150 milhões de eleitores. Tenho certeza de que sou do bem, mas para boa parte dos seguidores desse candidato ainda não saí das trevas.

E sabem por quê? Porque desde menino procuro agir com verdade, sem maldade, sem interesses maldosos e egoístas, tendo sempre noção de que não devo influenciar as vidas de ninguém. Buscando ser confiável, tento incansavelmente ajudar o semelhante a acreditar em suas boas atitudes e escolhas. Parodiando a canção de Milionário & José Rico, confesso que “o tempo cercou minha estrada e o cansaço me dominou”. Atingi a exaustão mental após numerosas tentativas de informar que, entre os bons e os maus, estão os que se limitam à subversão, os que se acham deuses supremos sem nunca terem conseguido explicado o milagre dos votos.

Por exemplo, jamais alcancei resposta para uma indagação que me persegue desde os primórdios. Excetuados o ultrapassado e nada republicano interesse pessoal e o incontido desejo de desordem social, o que leva determinados grupos de seres humanos, também conhecidos por eleitores, a eleger para cargos públicos pessoas despreparadas e desprovidas de qualquer senso de comunidade? Pior do que elegê-los é defendê-los. Ainda mais lamentável é transformar um disputa política em guerra santa, em questão puramente ideológica, em barbárie social. Há uma crença irracional de que é falsa qualquer coisa ou informação que não parta da assombração mitológica.

O problema é que tudo que é bom para eles é péssimo para o país. Ou não? O que dizer da possibilidade de dormir sob o manto vermelho da democracia e acordar torturado pelos trajes esverdeados da tirania? Embora duvide e questione uma e outra possibilidade, minha preferência é pela liberdade. Pelo sim, pelo não, deixei de reclamar. Apenas ouço e lamento. Entendi tardiamente que mais vale seguir o sábio do que ouvir o estulto. Daí, decidi não desperdiçar mensagem com quem não as lê, palavras com quem não as ouve e minha vida com quem prefere ser marionete.

Talvez eu seja facilmente incluído na lista dos maus. Acho até que já estou, pois não consigo conviver com fanáticos por mitos de coisa alguma. Voltando a Darwin, não existe um estudo conclusivo sobre a escola evolutiva. Atualmente, a hipótese científica mais aceita é de que a espécie humana moderna (o Homo sapiens) surgiu na África há cerca de 200 mil anos e de lá se dispersou para outras regiões em vária ondas migratórias. Pode ser essa a explicação para nossa facilidade de votar em macacos, rinocerontes e leigos. É aquela velha história de que, plantando vento, a colheita de tempestade será farta. Merecidamente, vivemos no período da fartura.

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