Notibras

Obra do Bonde de Santa Teresa atrasa e Cabral culpa adversários

As obras do sistema de bondes de Santa Teresa (que está sem circular desde 2011), tocadas pelo Governo do Estado, estão atormentando a comunidade local. Com o prazo de conclusão estourado este mês (o final foi adiado para julho), não teve nenhuma das seis etapas concluídas. Tem dias em que não há nenhuma movimentação de operários no local. Para piorar, o Governo Sérgio Cabral culpa a oposição pelo atraso, que é de sua exclusiva responsabilidade.

Em nota à imprensa, assinada pela Secretaria da Casa Civil, comandada por Régis Fichtner, o Estado informa que “está cumprindo a sua promessa de realizar a total reformulação e modernização do sistema de bondes de Santa Teresa, o que inclui a aquisição de 14 novos bondes, a troca de todos os trilhos e rede aérea dos 16 km de vias e a construção da nova subestação elétrica para fornecimento de energia do sistema”.

Continua: “O Governo foi surpreendido, no entanto, com a atuação de um pequeno grupo de pessoas, que está tentando boicotar a realização das obras, com o nítido propósito político de inviabilizar o cumprimento do prazo de conclusão da reformulação do sistema de bondes de Santa Teresa. O objetivo dessas pessoas é claramente o de fazer com que o Estado não cumpra o prazo prometido, com a finalidade de causar aos administradores públicos responsáveis pelas obras prejuízos políticos, com vistas às eleições deste ano”.

“O argumento utilizado por líderes desse grupo político, de que o Estado não deveria abrir mais de uma frente de obra nas intervenções em Santa Teresa, atenta contra o interesse da população em ver a obra finalizada no menor prazo possível e contra o interesse público de a obra ser realizada com o menor dispêndio possível de recursos públicos. O Estado tomou todas as providências possíveis a seu alcance para minimizar os transtornos naturais que uma obra dessa natureza causa”.
Finaliza: “Diante disso, o Estado tomará todas as medidas que estiverem ao seu alcance para coibir a atuação ilegítima e ilegal desse pequeno grupo, a fim de poder cumprir o seu compromisso com a população do Rio de Janeiro, em especial a de Santa Teresa”.

A nota teve reação do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que participou de ato na última segunda-feira contra o atraso nas obras, junto com moradores. “Moradores denunciam que as obras andam a passos lentíssimos. A rua Joaquim Murtinho, por exemplo, está interditada desde o início de novembro de 2013. Lá se vão quase cinco meses sem que nenhum carro ou coletivo possa passar por lá. Daí, do nada, o governo do estado começa a interditar outro trecho, no centro do bairro, o Largo dos Guimarães, para mais um canteiro de obras. Foram para lá e impediram por dois dias o início do novo trecho. Depois sucumbiram diante da truculência, com uso de força policial”, escreveu o psolista no Facebook.

Para o parlamentar, há motivos financeiros para essa nova postura do governo estadual. “Logo surgiram informações que apontam para as possíveis razões do quiprocó: representantes do governo estadual – os mesmos que recusaram um encontro com os moradores – se reuniram com empresários do Hotel Santa Teresa, um cinco estrelas de alto luxo localizado bem perto do novo trecho em obras. A suspeita: a pouco tempo da Copa, o governo do estado vai dar um gás lá pertinho do hotel bacana, pra não atrapalhar os amigos empresários na época mais lucrativa”.

Sobre a nota, a assessoria de Alencar afirmou: “Talvez estejam afirmando isso pela participação do Chico, morador de Santa Teresa, no ato de segunda. Ignoram que os moradores cobram transparência e participação na obra de seu bairro. Ignoram que Chico e a associação enviaram ofício há dois meses cobrando informações e não foram respondidos. Ignoram que aqueles que tentaram impedir a instalação do novo canteiro são os mesmo que desde sempre cobram celeridade nas obras. Ignoram que todo o bairro tem consciência das trapalhadas e conluios do governo…”.

O bonde parou de funcionar após um acidente em 27 de agosto de 2011, quando morreram seis pessoas (turistas franceses, americanos e portugueses) e 60 pessoas ficaram feridas, devido a uma falha no sistema de freios. O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, ainda quis botar a culpa no motorneiro Nelson da Silva, que também morrera na tragédia. Laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli comprovou que o acidente fora provocado por problemas na manutenção do bonde.

Sair da versão mobile