Eu quero compor um soneto doce,
claro como água em dia de verão,
que não machuque o ouvido nem a voz
e caiba inteiro dentro do coração.
Quero que seja simples e acessível,
que não se feche em pedra nem em nó,
que seja um gesto humano e compreensível
e ande com todos, nunca fique só.
Não quero um verso seco, duro, estranho,
quero um verso que acolha quem o lê,
que seja ponte e nunca seja espinho.
Meu soneto não nasce contra ninguém:
nasce para dizer, com luz e carinho,
que a palavra também pode ser bem.
