Hoje cedo eu vi o teu rosto
esculpido nas nuvens do céu.
Nem um artesão de bom gosto
teria tanta destreza com seu cinzel.
E fiquei a me perguntar:
o que deveras há em ti
que é mais belo pra se ver?
Seria o brilho do teu olhar,
ou os lábios de sapoti,
dos quais fico à mercê?
Sei que dos seus olhos a beleza
fulge como um raro lampejo
que não tem nenhum viés.
E dos teus lábios tenho a certeza:
se ganho da tua boca um beijo
sinto o chão sumir sob meus pés!
