Há cinco anos sem novos exames.
Coragem, parceiro!
Entrei na sala; sentei e o oftalmologista – só o nome já arrepia – veio com as traquitanas todas e eu fui lendo.
E o doutor trocando lentes.
Ao ponto e por fim: “pra longe tá estabilizado, mas pra perto vamos dobrar os graus”
Lembrei-me do menino MIGUILIN, do conto genial do Guimarães Rosa.
E como o menino ao receber os primeiros óculos foi vendo novamente o mundo: as árvores, o céu, o mar, as formigas e os pores-do-sol.
Experiência mágica que a ciência pode proporcionar.
Já não conseguia ler nem escrever no notebook e no celular com a destreza de antes.
Vinte e cinco dias de “embaçamento” até meus “novos olhos” ficarem prontos.
Chegaram os óculos e se foi o tormento.
Agora, sim, com foco nítido sigo feliz com os meus novos olhos de MIGUILIN.
Enfim…
………………………..
Gilberto Motta é escritor e aos poucos faz pactos com o tempo antes da chegada da barca para a travessia. Vive na Guarda do Embaú SC.
