O caso da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que chocou Caldas Novas e o país, atingiu um estágio crucial de esclarecimento jurídico e pericial. Após 43 dias de mistério, a investigação da Polícia Civil de Goiás culminou na prisão do síndico Cléber Rosa de Oliveira e de seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, trazendo à tona detalhes de um crime marcado por perseguição e frieza.
A confirmação definitiva da causa da morte veio por meio do laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML), divulgado no início de fevereiro de 2026. Segundo o documento, Daiane foi assassinada com um tiro na cabeça, que resultou em traumatismo cranioencefálico grave. A perícia refutou a versão inicial de “morte acidental” ou “briga generalizada”, evidenciando a execução direta da vítima.
Cléber Rosa, o síndico do condomínio onde Daiane possuía apartamentos e residia, confessou o homicídio após ser confrontado com evidências técnicas. De acordo com o depoimento prestado à Polícia Civil, o crime ocorreu no subsolo do prédio no dia 17 de dezembro de 2025. O agressor alegou arrependimento, mas a investigação aponta para uma emboscada meticulosamente planejada.
A tese de premeditação ganhou força após a reconstituição do crime. A polícia descobriu que o síndico cortou propositalmente a energia do apartamento de Daiane para forçá-la a descer até a central elétrica no subsolo. Lá, sem monitoramento de câmeras que ele conhecia bem, ele a abordou e disparou o tiro fatal enquanto ela registrava a falha elétrica pelo celular.
Outro desdobramento importante foi a localização do celular da vítima durante a reprodução simulada dos fatos. O aparelho foi encontrado submerso dentro da caixa de esgoto do condomínio. A tentativa de descartar evidências digitais reforça as investigações sobre fraude processual e ocultação de provas por parte dos envolvidos.
O filho do síndico, Maykon Douglas, também foi detido. A investigação sustenta que ele teria auxiliado o pai na obstrução da justiça, fornecendo suporte logístico após o ocorrido, o que incluiria a provisão de um novo chip e aparelho telefônico. A defesa nega participação direta na morte, mas as medidas cautelares foram mantidas pelo Judiciário para garantir a instrução do processo.
O pano de fundo do crime revela um histórico de conflitos sistemáticos. Daiane e Cléber acumulavam diversos processos judiciais e boletins de ocorrência registrados anteriormente. O embate intensificou-se por divergências sobre a gestão das locações de temporada no prédio, atividade que a corretora exercia e que sofria restrições impostas pela administração do condomínio.
A repercussão local gerou cenas de indignação em Caldas Novas. Logo após a prisão dos suspeitos, houve registros de atos de vandalismo no condomínio, refletindo a comoção social diante da brutalidade do caso. O clima no edifício permanece marcado pela busca por respostas e pelo reforço nos protocolos de segurança interna.
O corpo de Daiane foi liberado para a família e sepultado em Uberlândia (MG), sua cidade de origem, no dia 4 de fevereiro de 2026. O funeral foi acompanhado por pedidos de justiça e homenagens à trajetória profissional da corretora, que era conhecida por sua atuação no mercado imobiliário da região.
Atualmente, o inquérito policial segue para as etapas finais de conclusão antes de ser remetido ao Ministério Público. O síndico poderá responder por homicídio qualificado, considerando agravantes como motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de ocultação de cadáver, cujas penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão conforme o Código Penal.
