Desde a Antiguidade, a romã ocupa lugar privilegiado no imaginário simbólico, religioso e mágico de diversas culturas. Seu nome científico, Punica granatum L., remete à antiga cidade fenícia de Cartago (Punica), supondo sua provável origem na Pérsia, de onde se difundiu para o Mediterrâneo, Índia e posteriormente para a Europa e Américas.
A planta tem porte arbustivo, cujos frutos contêm numerosas sementes adocicadas cor de sangue. A multiplicidade de sementes simboliza abundância, fertilidade, regeneração e mistério da vida. No esoterismo, a romã representa a unidade que contém a multiplicidade — o Um manifestando-se no Muitos.
Na Grécia antiga, a romã está ligada ao mito de Perséfone: ao ingerir seus grãos no mundo subterrâneo, a deusa sela o ciclo de morte e renascimento, tornando-se arquétipo dos ritmos da natureza e da iniciação espiritual. Já no judaísmo, a romã simboliza a Lei divina. A tradição afirma que seus grãos correspondem aos 613 mandamentos da Torá, razão pela qual o fruto adorna vestes sacerdotais descritas no Êxodo (28:33–34).
No Cristianismo primitivo, a romã aparece em iconografias como símbolo da Ressurreição, da unidade da Igreja e da vida eterna, sendo associada tanto a Cristo quanto à Virgem Maria. No Islamismo, o Alcorão menciona a romã como um dos frutos do Paraíso, reforçando sua conotação sagrada e purificadora (Alcorão 6:99).
Em práticas rituais e cerimoniais, a romã é amplamente utilizada em trabalhos mágicos voltados à prosperidade, fertilidade, proteção espiritual e fortalecimento de vínculos. Seus grãos podem ser consagrados e oferecidos em rituais lunares, enquanto a casca seca é empregada em defumações e talismãs.
Esotericamente, o fruto ensina que o verdadeiro poder não está na aparência externa, mas na riqueza interior. Cada semente simboliza uma possibilidade, um destino, uma centelha do princípio criador. Assim, a romã permanece como emblema do conhecimento oculto, da iniciação e da renovação espiritual.
Na magia, cada semente representa uma possibilidade manifesta. O ritual da romã ensina que a prosperidade verdadeira nasce da harmonia entre intenção, ação e respeito aos ciclos naturais.
Na tradição Wicca, a romã é consagrada à Deusa Perséfone, especialmente em seus aspectos de fertilidade, abundância e renascimento. Este ritual simples pode ser realizado em Lua Crescente ou Lua Cheia, momentos propícios para expansão e manifestação. Os ingredientes para o “trabalho” são simples. Uma romã madura, um athame, faca ou punhal, uma taça, uma vela branca, azul ou prateada, incenso de canela, mirra ou olíbano, mel ou vinho tinto.
Prepare o altar voltado para o Leste, acenda a vela e o incenso, e concentre-se por alguns instantes naquilo que pretende alcançar. Segurando a romã entre as mãos, visualize seus objetivos sendo fecundados e multiplicados. Utilizando o Athame, corte a fruta ao meio com intenção consciente, dizendo: “Assim como estes grãos são muitos, que minha vida se encha de abundância, saúde e renovação, sob a bênção da Grande Deusa.”
Retire alguns grãos e coloque-os na taça, regando o recipiente com mel ou vinho como oferenda simbólica. Erguendo a taça, pronuncie as seguintes palavras: “Assim como Perséfone desceu e retornou, eu acolho o mistério, o sangue da vida e o poder da Deusa em mim.”
Mastigue os grãos e beba o vinho, ou mel, vagarosamente, mentalizando o objetivo pretendido. Ao final, agradeça às forças invocadas, apague a vela com respeito e descarte os grãos ofertados na natureza ou aos pés de uma árvore, selando o ciclo de troca energética.
O rito é fechado com palavras de gratidão: “Nada nasce sem morrer, nada morre sem renascer. Eu sou filha da Lua, portadora do Mistério.”
As velas são apagadas com respeito, e o Círculo é desfeito. Este ritual não busca apenas prosperidade, mas despertar a consciência sacerdotal, honrar o corpo como templo e integrar os ciclos de sombra e luz.
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Bahirah Abdalla
Mestre Conselheira do Colégio dos Magos e Sacerdotisas
@colegiodosmagosesacerdotisas
