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Os Três Reis Magos, mistério e sabedoria ancestral

O dia seis de janeiro marca a chegada dos Três Reis Magos a Belém, trazendo os presentes para o menino Jesus, todos iluminados pela estrela do firmamento. Por analogia, o seis de janeiro, corresponde à Quarta-Feira de Cinzas. Tanto um como outro remetem ao encerramento dos festejos comemorativos, o primeiro do Natal, o segundo do carnaval. É hora de guardar os enfeites e adereços, e aguardar pacientemente o próximo ano. O que passou, passou…

A narrativa dos Três Reis Magos ocupa lugar central no imaginário cristão e na tradição simbólica do Natal. Citados no Evangelho de Mateus (Mt 2,1–12), eles são descritos como sábios vindos do Oriente, guiados por uma estrela até Belém, onde reconheceram no menino Jesus o nascimento de um rei espiritual. O Messias.

Reza a lenda que a origem dos Três Reis Magos remonta às antigas tradições sacerdotais do Oriente Próximo, especialmente da Pérsia, Babilônia e regiões da Arábia. Mais do que personagens históricos, os Magos representam a convergência entre fé, ciência e sabedoria esotérica.

O termo “mago” deriva do persa magush, designando membros de uma casta sacerdotal ligada ao zoroastrismo, religião fundada por Zaratustra, que concebia o universo como regido por uma ordem cósmica luminosa (Asha) em oposição às forças do caos. Esses sacerdotes eram responsáveis pelos rituais do fogo sagrado e pelo estudo dos astros, considerados manifestações da inteligência divina.

Associados à astrologia dos Caldeus, os Magos dominavam a observação sistemática dos movimentos planetários e dos fenômenos celestes, interpretando-os como sinais simbólicos da vontade divina. Na tradição caldaica, estrelas e conjunções planetárias anunciavam grandes transformações históricas e espirituais. Assim, a chamada Estrela de Belém pode ser compreendida, sob uma leitura hermético-astrológica, como um fenômeno celeste interpretado à luz de um saber iniciático, capaz de indicar o nascimento de uma consciência messiânica universal.

Do ponto de vista religioso, os Magos simbolizam a ancestralidade e universalidade da mensagem cristã, pois não pertenciam ao povo judeu. No campo simbólico e esotérico, os Reis Magos Gaspar, Melquior e Baltasar representam as antigas tradições astrológicas e sacerdotais do Oriente, indicando que o Cristo nasce para toda a humanidade.

O termo “mago” deriva do persa magush, designando os sacerdotes-astrólogos, estudiosos dos astros, da alquimia e das leis cósmicas. A estrela guia é interpretada, hermeticamente, como o sinal do Logos manifestado, a luz da consciência que conduz à Verdade.

A festa da Epifania, celebrada em 6 de janeiro, marca a visita dos Magos e encerra simbolicamente o ciclo natalino. Epifania significa “manifestação”, indicando o momento em que o divino se revela ao mundo. Nesse sentido, o nascimento de Jesus não é apenas um evento biográfico, mas um arquétipo de iluminação espiritual.

Os presentes ofertados ao menino Jesus carregam profundo significado iniciático. O ouro representa a realeza espiritual e a soberania do espírito; o incenso simboliza a elevação da oração e a ligação com o divino; e a mirra, usada em rituais funerários, aponta para o sacrifício, a finitude do corpo e a transcendência da alma. Juntos, formam uma tríade alquímica: poder, sacralidade e transformação.

Na leitura hermética cristã, os Magos também simbolizam as três dimensões do ser humano: corpo, alma e espírito; ou ainda as etapas do caminho iniciático — busca, reconhecimento e oferenda. Sua jornada reflete o percurso do iniciado que, guiado pela luz interior, encontra o Cristo como princípio da consciência cósmica.

Assim, os Três Reis Magos permanecem como símbolos atemporais da sabedoria que reconhece o sagrado, da união entre razão e fé, e da mensagem de que todo verdadeiro conhecimento conduz à luz.

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Hussein Sabra el-Awar
Membro Conselheiro do Colégio dos Magos e Sacerdotisas
@colegiodosmagosesacerdotisas

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