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Ousada aos 66 anos e disposta a se manter como capital da democracia

Majestosa, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, “marco de autoconfiança e a interiorização como ato democrático”, monumento à modernidade, orgulho nacional, capital de todos os brasileiros, terceira cidade do Brasil em população e nem sempre culpada pelas mazelas políticas e econômicas do país. Aos 66 anos, esta é Brasília, sonho de Dom Bosco, criação de Juscelino Kubistchek e hoje, com todos os méritos, o cérebro das mais altas decisões nacionais. Tomara que ela mantenha a disposição de se perpetuar como a capital da democracia.

Planejada, ousada, infinita, perfeita, cheia de cores, de formas e de contrastes, Brasília é o céu e o sol de todas as estações. Às vezes selvagem como uma leoa, outras vezes sonhadora, de vez em quando seca e chuvosa, mas sempre pronta para bem receber quem chega. Como não amar esta jovem senhora plena, ampla, inovadora, diversa, inspiradora e cheia de histórias? É a capital dos meus devaneios mais simplórios e a terra vermelha com a qual marquei para sempre meus pés cansados de longas e tortuosas caminhadas.

Eu vim de longe, mas foi aqui que me estabeleci, cresci e é aqui que quero findar meus dias. Hoje Brasília é minha cidade, mas sua beleza é de todos que a descobrem. Ela não é só um ponto no mapa. É o lugar onde moram minhas lembranças mais gostosas. Aqui estão meus amigos, minha família e minha longeva história. Vim de longe, mas foi em Brasília que vivi, vivo e viverei meus melhores momentos. Embora morra de saudades do berço, minha cidade adotiva é um poema em forma de paisagem. Por isso, reitero a impossibilidade de não amá-la.

Algumas cidades encantam à primeira vista. Outras revelam sua beleza nos detalhes do cotidiano. Na Capital, precisei de poucos passos para enxergar a beleza de um espaço lindo e cativante. O melhor foi aprender a admirar o que pulsa silenciosamente ao nosso redor. Desde o primeiro dia, há exatos 41 anos, eu e Brasília nos enroscamos em um romance particular, decorrência dos encantos que ela só apresentou a mim. Embora forasteiros e desavisados insistam em vê-la como um aglomerado de prédios, funcionários públicos e escândalos, não me canso de agradecer a Deus, a JK e a Lúcio Costa por me permitirem vislumbrar o mais perfeito pôr do sol do Brasil.

Sexagenária e cada dia mais jovial, Brasília é uma cidade de chegadas e partidas. Maravilhosa quando vista de cima, poética durante as caminhadas pelo Lago Paranoá, doce diante do meu olhar, culturalmente plural, naturalmente bela e faceira, mas, infelizmente, tão desigual como qualquer metrópole cheia de encantos, mas dominada por homens que não encantam. Somos maiores do que os escândalos produzidos por aventureiros transformados em algozes fantasiados de redentores.

Somos melhores do que aqueles que por aqui aportam sem ideias e com os bolsos vazios, mas, um ou dois mandatos depois, saem com caixas e mais caixas de dinheiro conquistado de forma nada republicana. Após 66 anos de domínio majoritariamente masculino, o comando da Capital foi devolvido às mulheres. Apostemos. Elas deixaram de ser invisíveis e, a exemplo do charme feminino de Brasília, não precisam de aprovação para mostrar que são extraordinárias. Parabéns, Brasília

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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