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Para quem mora e vive na rua, o sol não é tão bonito

Por não ter aonde ir eu escolhi esse caminho: ácido, amargo e reflexivo – mas real! Alguns, da geração de 60, 70 do século passado, por exemplo, devem se lembrar do profeta do terror que a Laranja Mecânica (o filme) anunciou. Então, esse profeta já está no meio de nós, brasileiros…

Semelhante ao enredo do filme, depois de termos nos submetido a opção, nas urnas eletrônicas – mesmo frágeis – de modificarmos o Brasil para ganharmos nossa liberdade (econômica, política, social…) mostramos, também, o reflexo da sociedade perante a hipocrisia que reinava.

A sociedade utilizou as urnas eletrônicas como ferramenta para pregar suas crenças e ideologias, acreditando que, mesmo aqueles que têm o dever (e o poder) de fazer com que a corrupção, a fome, a doença, a hipocrisia política acabem; mesmo eles, são muito piores dos que são julgados como más índoles (tire a sua conclusão, leitor, que quiser).

O profeta do terror anunciado, terrivelmente comprometido com o combate à corrupção é, terrivelmente hipócrita – pois entende que a forma mais fácil de chamar a atenção do público para esses tipos de assuntos é de forma teatral e carregada de mentiras (melhor dizendo, fake news, nos dias de hoje).

A cabeça do povo pensava em ficar livre das mazelas políticas do Brasil, e tendo feito isso já em dois momentos distintos com impeachments de presidentes eleitos e, em certa medida, mentirosos; tanto quanto o profeta do terror da atualidade.

Porém, nem tudo que a cabeça pensa é o que a alma deseja. A situação realmente não está fácil. No cenário político, tudo que não faltou foi insanidade e instabilidade nos últimos meses, com os precatórios, a bolsa família, a reforma tributária. A cereja do bolo foi a briga mais direta entre os poderes da República.

Se não bastasse tudo isso, cada vez mais nos parece que as eleições já começaram. Tudo isso assusta e o medo de ambas as rupturas estão aí, seja com o fiscal, seja com o institucional. É importante termos otimismo num Brasil melhor no futuro, mesmo não esquecendo de que é preciso trabalhar muito para vencer o desemprego, a inflação, a pandemia. Será que estamos correndo atrás dos objetivos certos?

Todo ser humano tem, no voto oculto, secreto – mesmo na urna eletrônica – uma faísca da vida de todas as vidas, o tesouro inefável, o infinito em que levitamos, e no qual nos movimentamos e somos.

Talvez você não sinta, não veja, caro leitor, mas não estou escrevendo esse texto para dar respostas, não tenho o dever de fazer isso, mas sim, espero que ele lhe seja ácido, amargo e reflexivo. Pois, não estou interessado em idolatrias, em mitologias, e sei também que, na hora do aperto, os ratos abandonam o navio.

Quero deixar claro, também, que, há horas em que os medos que pareciam superados retornam com força total, fazendo você se sentir vulnerável e frágil. Se esse texto servir, tenha certeza de que essa sensação não transparecerá a ninguém. É sua.

Ah, sim, ante possível contestação judicial, “quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorrem do calor do momento.”

Enfim, precisamos mesmo é ter esperança, pois no Brasil se vive mais de crise do que tempos de bonança.

Então, vamos iovar (e renovar) o Brasil, o Distrito Federal e todos os entes da Federação, para que possamos, com nossas presenças, fazer de nosso dia a dia o campo fértil de treinamento para isso se tornar possível. Porque, aquele profeta, que era jovem e novo (apesar de antigo) não serve mais para a mudança que o Brasil precisa, provando, assim, o que o filósofo pré-socrático Heráclito já afirmava:

“Nada é permanente, exceto a mudança.”

Cuidemos da vida. Se ocupe em nascer!

*Viajante, Especulador, Investidor, Professor, Filósofo, Blogueiro e Tennis Player nas horas vagas

 

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