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Partidos de todas as matizes se unem para limpar a ficha de Arruda

Do PT ao PSDB, passando por PSB, PMDB, PSD, PDT, DEM e PR. Políticos de várias tendências que fazem carreira em partidos de diferentes cores, estão articulando por meio dos seus advogados, a presunção de inocência do ex-governador José Roberto Arruda no episódio que ficou conhecido como Mensalão do Democratas.

O processo está no Superior Tribunal de Justiça. A votação será na terça-feira 9. E se tudo correr como avaliam os mais otimistas, a Caixa de Pandora será fechada. E Arruda, inocentado, comemorará, 24 horas após a festividade do 7 de Setembro, a tão sonhada independência para continuar na corrida ao Palácio do Buriti.

Correntes do próprio PT, já admitindo a derrota do governador Agnelo Queiroz, se engajam na luta pró-Arruda e movimentam seus conhecimentos (e conhecidos) para manter em definitivo a liminar em que o STJ concedeu ao ex-governador do Distrito Federal o direito de concorrer no pleito de outubro próximo. Afinal, se isso acontecer, terá sido criada jurisprudência capaz de tornar elegíveis candidaturas de todo o País que enfrentam problemas com a Justiça.

O julgamento do dia 9 no Superior Tribunal de Justiça é para suspender os efeitos da condenação por improbidade administrativa, até que o processo seja encerrado. A ação que condenou Arruda se refere à operação Caixa de Pandora, que investigou o suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como Mensalão do Democratas.

Caso a medida cautelar seja aceita, as denúncias de envolvimento de Arruda no pagamento de propina para a campanha eleitoral de 2006 deixam de interferir no registro da candidatura dele ao governo do Distrito Federal. Há quem antecipe o resultado da votação. Três a dois a favor de José Roberto Arruda, com voto de minerva do presidente da Corte.

O recurso de Arruda contra a condenação por improbidade administrativa é relatado pelo ministro Napoleão Maia Nunes Filho. Coube a ele deferir, em junho, a liminar suspendendo o julgamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Depois, por decisão do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa, o Tribunal condenou Arruda em segunda instância.

É aí que reside o imbróglio maior. Arruda foi condenado depois de ter sua candidatura ao Palácio do Buriti inscrita no Tribunal Regional Eleitoral. Mas o TSE entendeu que inscrição não é sinônimo de garantia de chapa para concorrer ao pleito.

Os advogados de Arruda colocam sob suspeição o juiz Álvaro Luis de Araújo Ciarlini. E se a condenação for extinta, José Roberto Arruda, que foi alijado do Buriti, e preso, passará a ser ficha limpa, com a correção de um suposto erro do Poder Judiciário.

Se conseguir vencer a ação no STJ, Arruda derruba a condenação por improbidade administrativa e deixa de ser considerado ficha suja. Fica, assim, em condições de disputar as eleições.

Líder disparado em todas as pesquisas, com possibilidades reais de sair vitorioso já no primeiro turno, Arruda sabe, porém, que cabeça de juiz é indecifrável. Por essas e outras, ele mantém uma carta na manga. Para atender a um eventual Plano B, anunciará apoio a uma dama. De ouro.

José Seabra

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