De ontem, hoje e amanhã,
sou um pergaminho dourado,
onde a eternidade escreve com tintas de sol
as cartas que moldam minha alma.
Algumas linhas nasceram em sombra,
mas até elas guardaram sementes de sabedoria,
pois cada ferida foi estrela oculta,
ensinando-me a valorizar o brilho da aurora.
Nem todas as páginas doem,
há capítulos que florescem em ternura,
cada palavra é de valor imensurável,
carregada de coragem e dignidade.
Caminhei por estradas cinzentas,
mas as nuvens se dissiparam no tempo certo,
e quando o cansaço inundava meu coração,
as águas encontraram um fluxo sereno,
bordado de flores e esperança.
Hoje abraço cada cicatriz como medalha,
orgulhoso de cada passo,
sabendo que não caminho sozinho:
há mãos de amor que protegem minha jornada.
Vida, eu te vivi com honra,
Vida, eu te viverei com honra,
pois tu és o manuscrito eterno
que nunca se encerra.
Não interrompas tua escrita,
há páginas em branco aguardando tua voz,
há capítulos que ainda precisam nascer.
Eu nasci preparado para ti,
para ser teu guardião,
teu leitor,
teu escritor,
na luz que nunca se apaga.
