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Poema-Moderno a ser datado 21/04/??

O Brasil, querendo ser o Brasil, finalmente,
Subiu a ladeira e já convive com os que já viviam
(Lá no morro) “pertinho do céu”, ou seria do Céu?

Qualé a sua, qual foi o seu papel ou papelão neste quinhão,
Finalmente, justamente, sem aparteísmo, mas
Com apartamentos, casas e residências dignas
Para todxs, todas, todos e toda a sopa de letrinhas
Sem discriminação, rejeição, exclusão…

Agora, finalmente, o Brasil é o Brasil que se quis
No presente e no futuro, não mais do passado,
Aquele passado, do caminhão dos ossos, das vacas magras,
Dos bezerros do ouro dos dízimos cobrados nos templos,
Ingressos no reino de um céu para chamar de seu,
Mas com a vaca magra na entrada do reino da Bovespa.

‘O Brasil já conhece o Brasil’, canta-se a melodia
De um novo dia, pois já raiou a modernidade no horizonte
Do Brasil que não mais se canta de pavão acima do povão.
No Brasil, finalmente, já raiou a liberdade

De ser feliz, pelo menos, três vezes ao dia.
Comer três vezes ao dia, nem se fala, pois,
o Brasil é um só Brasil,
De Norte a Sul; de Leste a Oeste.
Ninguém ficou fora da “rosa do povo”,
Da Rosa dos Ventos, da aurora do tempo
Em que se sonhava com um só país
E com um só Direito, uma só Justiça,
Para todas as nossas nações, indígenas ou não:
O país, finalmente, sem um só indigente.

Esta é a modernidade e, agora, sem sentido,
Pois, dela não mais se precisa.
O Brasil é o país de uma mesma condição,
Os iguais na mesma camisa
Verde-amarela-azul-e-branca, ou,
Quem sabe, redesenhada, reconfigurada, pois,
Se o verde é das matas, não há mais desmatamentos;
Se o amarelo é do ouro, ouro sem escravidão;
Sem mercúrio nos rios, sem garimpos ilegais,
Sem evasões clandestinas, sem prostituição.

Ah, o azul do céu; o branco da paz; as estrelas
Todas, todos, todes, o Cruzeiro do Sul, inteiro
Brilhando para a igualdade, justiça para todos.
Não mais o cruzeiro da cruz dos mártires, dos heróis…
A modernidade não precisa de heróis.
Agora, a modernidade não precisa mais de nada,
Nem dela mesma, pois o projeto se esgotou.

O presente chegou. O Brasil não é mais
O país do futuro. O Brasil chegou
E, finalmente, é o que todos queriam.
O Brasil, agora, conhece o Brasil.

‘O Brasil já conhece o Brasil…”
E todas as suas cores e nações,
Tantas quantas as estrelas da Bandeira.
Tantas quantas as idades e cidades.
Com fraternidade, a modernidade se cumpriu.
O moderno deixou de ser para o eterno.

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* Publicado na revista Bric-à-Brac, 2022, edição alusiva ao centenário da Semana de Arte Moderna.

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