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Policial civil aposentado é investigado por acesso ilegal a dados restritos

Um policial civil aposentado tornou-se o centro de uma investigação que apura a invasão e o monitoramento de informações sigilosas de órgãos públicos do Distrito Federal. Na manhã desta segunda-feira (16), agentes da Polícia Civil do DF cumpriram três mandados de busca e apreensão para coletar evidências sobre o esquema. A operação visa desarticular o acesso indevido a bancos de dados que deveriam ser protegidos por sigilo institucional.

As investigações apontam que o suspeito teria acessado dados de um grupo diversificado e influente de vítimas. Entre os nomes monitorados estão empresários, policiais, jornalistas e servidores públicos que atuam em gabinetes de parlamentares, tanto na esfera distrital quanto na federal, além de funcionários do Poder Executivo local. O alcance do monitoramento era tão amplo que incluía, inclusive, informações de parentes dessas personalidades.

Atualmente, o policial investigado ocupa um cargo comissionado em uma empresa pública do Distrito Federal, embora o nome da instituição não tenha sido divulgado pelas autoridades. O uso de sua posição ou de contatos remanescentes da carreira policial para obter tais privilégios de acesso é um dos pontos que a perícia técnica pretende esclarecer ao longo do inquérito.

O caso chegou ao conhecimento da corporação por meio de uma denúncia anônima. O relato indicava a existência de uma “empresa privada de investigação” vinculada ao policial aposentado, que estaria realizando o serviço de monitoramento de forma totalmente irregular. A suspeita é que a estrutura de inteligência estatal tenha sido desviada para fins particulares ou comerciais.

Durante a ação realizada nesta manhã, os policiais civis encontraram a quantia de R$ 15 mil em espécie na residência do suspeito. O dinheiro foi apreendido e será periciado para identificar sua origem, buscando verificar se os valores possuem relação com o possível comércio das informações extraídas ilegalmente dos sistemas governamentais.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), unidade subordinada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR). O foco do grupo especializado é entender como as barreiras de segurança dos sistemas foram rompidas e se houve a conivência de outros servidores ativos para facilitar as consultas.

Até o momento, a motivação por trás do acesso a essas informações sensíveis permanece sob sigilo. Os investigadores apuram para quais finalidades o material coletado seria utilizado — se para extorsão, venda de informações estratégicas, dossiês políticos ou simplesmente para alimentar a base de dados da empresa privada de investigação citada na denúncia.

O desfecho desta investigação pode levar a sanções severas, incluindo a perda do cargo comissionado e a revisão de benefícios da aposentadoria, além de processos criminais. O episódio levanta um alerta sobre a segurança cibernética nas instituições públicas de Brasília e a necessidade de protocolos mais rígidos de controle sobre quem acessa dados de cidadãos e autoridades.

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