Com as eleições se aproximando, o Partido dos Trabalhadores se vê diante de uma decisão estratégica que pode influenciar diretamente o rumo da disputa: a escolha do vice na chapa de reeleição de Lula.
Não se trata de mera formalidade. A definição do vice-presidente é um gesto político carregado de simbolismo e pragmatismo. A escolha precisa ir além da afinidade pessoal ou da boa convivência política. É preciso calcular cenário, alianças, tempo de televisão, capilaridade regional, diálogo com setores estratégicos da sociedade e, sobretudo, estabilidade institucional.
Uma campanha majoritária não se constrói apenas com carisma ou memória eleitoral. Ela exige engenharia política. O partido que compõe a chapa interfere no tempo de TV, na formação de palanques estaduais e na capacidade de ampliar pontes com segmentos que ainda resistem ou permanecem indecisos. Em uma eleição polarizada, cada minuto de exposição e cada sinal de moderação ou firmeza contam.
Mas há um elemento que muitas vezes é subestimado e que, na prática, revela-se central: lealdade. Em um país que já viveu rupturas traumáticas, o histórico recente ensina que o vice precisa ser alguém comprometido com o projeto eleito nas urnas e não apenas com o cargo que ocupa.
Se o critério fosse exclusivamente a lealdade, o nome de Geraldo Alckmin surgiria novamente como escolha natural. Alckmin demonstrou disciplina institucional, maturidade política e compromisso com o governo. Como ministro, apresentou resultados concretos, dialogou com setores produtivos e ajudou a construir pontes com o empresariado. Mais do que isso: manteve-se leal em momentos de pressão, sem ruídos públicos ou disputas paralelas.
Inteligente e experiente, Alckmin cumpriu o papel de vice com discrição e eficiência, duas qualidades raras na política contemporânea. Sua presença na chapa anterior simbolizou pacificação e amplitude, algo que pode voltar a ser decisivo.
A pergunta que o PT precisa responder é estratégica: é hora de manter a estabilidade que já funciona ou apostar em uma nova composição para ampliar ainda mais o campo político?
A decisão exigirá cálculo, mas também memória. Em política, confiança não é detalhe. É ativo. E ativos confiáveis não se descartam facilmente.
