Na esquerda ou na direita, há quem se desespere com os resultados das pesquisas de intenção de voto para a presidência. De um lado, aliados do governo temem qualquer sinal de crescimento de candidatos da oposição; de outro, setores conservadores se alarmam quando os números parecem favorecer o campo progressista. Esse nervosismo, porém, é desnecessário. Pesquisas realizadas a tanta distância da eleição têm mais função política do que propriamente preditiva.
Neste momento, os levantamentos cumprem sobretudo o papel de organizar o campo da direita. Ao apresentar determinados nomes como viáveis, ajudam a aglutinar apoios e a convencer lideranças e eleitores de que há um candidato capaz de unificar esse espectro. No caso atual, a lógica parece clara: criar a percepção de competitividade em torno da candidatura de Flávio, reduzindo a dispersão entre diferentes presidenciáveis e estimulando uma convergência antecipada.
Já no campo da esquerda, os números funcionam quase como um antídoto contra a acomodação. As pesquisas lembram que não existe eleição ganha de antemão e ajudam a evitar o clima perigoso de “já ganhou”, que tantas vezes cobra seu preço na política. Disputa eleitoral se constrói com mobilização constante, organização e capacidade de diálogo com a sociedade. Quem se esquece disso, mais cedo ou mais tarde, acaba surpreendido pelas urnas.
