No domingo, 18, os eleitores portugueses vão novamente às urnas, desta vez para escolher o próximo presidente ou presidenta da República para um mandato de cinco anos. A ocorrência de diversas eleições em Portugal é uma característica de regimes parlamentaristas, onde o parlamento se dissolve quando o governo cai, e realizam-se novas eleições parlamentares. Nos últimos quatro anos ocorreram três eleições para o parlamento, em função da queda do gabinete do primeiro-ministro, o que obrigou a novas eleições parlamentares. Isto é algo a que os brasileiros não estão habituados, por ter o Brasil um regime presidencialista.
Eleições presidenciais e municipais (em Portugal chamadas de autárquicas), assim como no Brasil, ocorrem obedecendo ao mandato fixado constitucionalmente. As eleições presidenciais ocorrem a cada cinco anos, período do mandato, e agora em 2026 há 11 candidatos, dentre eles apenas uma mulher. Destes, há cinco que têm chances de irem a um segundo turno, visto que não há nenhuma indicação de vitória de alguém no primeiro turno. As pesquisas apontam dentre os cinco candidatos com chances uma leve vantagem, dentro da margem de erro, para dois deles, o do Partido Socialista Antonio José Seguro, e o do partido de extrema direita Chega, André Ventura.
Esta é a questão que choca e coloca uma imensa preocupação quanto a estas eleições, a possibilidade de haver um presidente de um partido que não condena a ditadura fascista que houve em Portugal e foi derrubada em 1974, algo muito parecido com a atuação de alguns políticos no Brasil, que ainda defendem a ditadura ocorrida entre 1964 e 1985. O partido de Ventura se apoia ainda na xenofobia para se manter em evidência, discurso esse que tem angariado muito apoio nos países europeus.
De acordo com as pesquisas, dá um enorme alento o fato de estas indicarem que qualquer candidato que enfrente Ventura em um segundo turno o vence. E isto se deve a algo que infelizmente não vemos no Brasil, a formação de um “cordão sanitário” por parte da maioria dos partidos e também da mídia, que busca isolar o Chega e seu discurso fascista. O segundo turno ocorre em 8 de fevereiro entre os dois melhores colocados no primeiro. É aguardar as eleições, e torcer para que o fascismo não tenha vez em Portugal, como infelizmente já ocorreu na Itália, e ronda a França que vai ter eleições presidenciais em 2027.
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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa
