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PRIMEIRO AMOR, MISTÉRIO ANTIGO QUE O CORPO JÁ SABIA

Era um grande mistério de amor
O primeiro amor vivido,
como as flores de um bosque que nascem sem que ninguém as semeie

Era um amor úmido, perfumado
Espontâneo como os bichos em seu estado natural

e, ainda assim, puro e suave

era mágico, era autêntico

Ninguém os ensinara

E, no entanto, sabiam-no
como as aves migratórias sabem a rota de sua viagem

os que se amavam sentiam
como há muito se conhecessem
e entre eles havia uma familiaridade ancestral

uma harmonia rara
que a música não alcança

Estavam prestes a executar os movimentos de seu amor

Pressentiam esses movimentos
Como os peixes pressentem a coreografia dos cardumes

E seus corpos coordenados levariam
Ao prazer total
Ao instante da morte absoluta
À plenitude dos pássaros que, sem bater as asas, ainda se sustentam no ar

Desde então, a vida de ambos é uma só
Simbiose de amor
Flama e esperança de eternidade
Desespero calmo
Angústia doce que facilmente se contenta.

………….

Daniel Marchi é poeta e contista, editor de Notibras, advogado e professor no Rio de Janeiro.

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