Ele mergulhou na melancolia.
Novamente, se viu no azul.
Um pouco do céu, um pouco do mar.
Voa e afunda, mas sem ajuda.
Tudo ao redor parece engolir.
Um tornado cumprimenta-o.
Puxa além e tenta.
Ergue-se em prantos na relva afora.
Na cama, após o devaneio em tarde mansa,
O coração canta sopro dos céus.
Desperto, relembra as visões do oceano.
A mente turva, ao pensar, logo cansa.
Estranham-se as luzes da madrugada.
De longe, visualiza um povoado.
Cantante, dançante e animado.
Vivem com suas mediocridades.
Na cegueira da alma refletia.
A ignorância pode ser uma benção.
Ou a profundidade no mundo uma maldição?
Meditação consciente e passos leves.
A cozinha está limpa e quieta.
A sala é minimalista.
Alvorada inicia-se.
Um pássaro pousa em sua janela.
Olham-se como se amigos fossem.
Preocupações começam a surgir.
A pressão arterial começa a subir.
Fecha os olhos, e de novo, pensa no mar.
Ah, as ondas e ilhas!
Que lindo mundo pra se viver!
Liga a televisão e um repórter explana.
Mais um crime cometido à luz do dia.
Um fugiu e o outro entrou em cana.
Latrocínio contra um adolescente,
Que sequer sair de casa queria.
As terminações nervosas pulsam.
O sangue esquenta.
Respira.
Calma.
O leitor está assistindo.
Não saia do seu personagem.
– E isso me interessa? É você quem está escrevendo essa merda toda.
Tento manter o poema como deveria,
O eu lírico não está ajudando.
– Só porque o seu mundo é assim, não precisa fazer do meu algo ruim.
Me calo.
Ele toma o seu café da manhã em paz.
Eu não.
……………
Renan Damázio, carioca, é advogado, professor e poeta, autor do livro “Emoções e Reflexões”.
