A frase “Santa Catarina não é balcão de negócios” caiu como uma pedrada no lago morno da política catarinense. E veio acompanhada de outra, ainda mais direta: “Acho uma loucura o que o PL está fazendo em Santa Catarina.” As declarações são do prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), ao criticar a articulação do Partido Liberal para trazer Carlos Bolsonaro, político do Rio de Janeiro, e lançá-lo como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
Num cenário em que grande parte da direita catarinense tem preferido o silêncio constrangido ou a concordância automática, a fala de Pavan soa como uma das poucas manifestações minimamente coerentes. Afinal, é difícil defender como “representatividade” uma candidatura importada, construída em gabinete, sem vínculo político ou histórico com o estado.
E a confusão está só começando. A eventual candidatura de Carlos Bolsonaro por Santa Catarina promete render muita discussão e disputas internas. Nem Carol de Toni nem Esperidião Amin dão qualquer sinal de que pretendem abrir mão de suas próprias pretensões ao Senado. Some-se a isso os acordos já existentes entre Partido Liberal e o Progressistas, e o resultado é um nó político difícil de desatar.
Enquanto isso, o governador Jorginho Mello parece adotar a estratégia clássica de “fingir-se de morto”, evitando se posicionar publicamente sobre um tema que pode implodir sua base. Já Carol de Toni, ao contrário, começa a dar sinais claros de insatisfação e não descarta, nos bastidores, a possibilidade de buscar outro partido caso seja escanteada.
O episódio escancara um problema maior: a tentativa de tratar Santa Catarina como território eleitoral disponível, negociável, quase um ativo de ocasião. Ao lembrar que o estado não é balcão de negócios, Leonel Pavan não fez apenas uma crítica pontual ao PL, fez um alerta sobre os limites do pragmatismo político quando ele atropela a lógica, a coerência e o respeito ao eleitor.
