“Os outros chegam para compartilhar felicidade, não para trazê-la.”
A leitura é sempre uma bela viagem, ou a um lugar inventado, ou desconhecido, ao nosso interior, ou… ao passado.
A frase do livro me transporta imediatamente para um passeio divertido, um sábado, com hora para saída, sem horário previsto para retorno. Uma rota, planejada cuidadosamente no início, mas, ao decorrer do dia, o planejamento se desfazia pouco a pouco.
Dezesseis mulheres, animadíssimas no início, aos poucos vamos percebendo as diferenças. Primeira parada, um belíssimo restaurante, que… de acordo com os planos, seria nosso local de almoço.
Não havia espaço para todas nós e, após um breve debate, decidimos pelo drink, na mesa da varanda, a vista… a pedra do lagarto.
Algumas discutiam chateadas, queriam o almoço, outras permaneceram no tanto faz, e um grupo mais animado decide pedir a tábua de degustação.
Próxima parada, nosso almoço, também não tinha mesa para todas. Nos dividimos em grupos. Novamente um grupo incomodado, outro reclamando, e outro contando piadas.
Nosso dia seguiu exatamente dessa forma, a rota estava muito mais lotada do que o normal e nada saiu como planejado, mas um pequeno grupo se divertia com tudo.
Nossa última parada cancelada, uma espera de duas horas para entrada no restaurante. O grupo decide pegar as sobras de bolo e salgadinhos do almoço e fazer um pequeno piquenique na beira da rua, animadíssimo.
Dias depois, acampando na escuridão do Pico da Bandeira, todos dormindo e eu sentada admirando a noite escura, a beleza dos vagalumes que eu não via há anos, a magia do céu estrelado, retorno ao passeio com o grupo, nossa última parada tinha lua cheia, uma visão linda das cidades, poucos vagalumes, sons de sapos, pássaros noturnos e apenas duas ou três pessoas conseguiram enxergar tudo isso.
Uma questão que fica sem resposta por meses surge naquele instante. O que é felicidade? O que é amor?
Obvio que temos inúmeras definições, mas, revendo situações rotineiras, percebo que o brilho minúsculo de um vagalume para mim é um encanto, para outra é imperceptível e, para outra, um incomodo.
A forma de enxergar a vida teria uma ligação com o compreendemos do amor e da felicidade? Não encontro a resposta por meses.
Caminhando pelas praias de Guarapari, paro para meu momento de banho de mar, de tranquilidade, de estar sozinha e uma ligação interrompe o momento comigo.
— Como sabemos o que é amor, ou bons relacionamentos se não temos boas referências disso?
A pergunta não era surpresa, dias antes, um bom café e um papo filosófico teria nos levado a esse questionamento, mas dessa vez a ligação vinha acompanhada de um vídeo, trazendo a nós duas um bom debate e a minha resposta.
Se eu consigo enxergar a beleza das pequenas coisas, se eu consigo ouvir e aprender com uma bela conversa com um idoso, se sou capaz de ajudar alguém em situações difíceis, de encontrar soluções para o que estiver fora de controle, enxergar a beleza da vida, eu encontrei o amor e a felicidade, eles moram em mim, não o outro ou no dia a dia.
O outro é uma extensão desse amor e da felicidade, mas esses sentimentos vivem em mim. Compreender isso é também compreender que o outro pode aceitar ou não meu amor e minha felicidade, mas não é algo dele, é meu.
Entendo isso a partir de duas ideias, a dela:
— O amor é como um bolo que eu faço, dou de presente e a outra pessoa não aceita, e eu volto com ele para mim, guardo até alguém aceitar.
Penso eu que essa é a forma mais comum de olhar a vida, mas alimenta a ideia de rejeição.
A minha ideia, alimentada por uma mulher inteligente:
— O amor é aquilo que existe em mim, alguém pode ser a válvula que vai dar vazão ao que está em mim, logo, se eu comparo a um bolo muito bem decorado, presenteio a pessoa que me ajudou nesse meu despertar, se não aceito é algo meu, que pode e deve ser meu alimento, sendo meu, não vou me ater à rejeição, eu tenho a receito.
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“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.
