Notibras

Resignação

No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.

E vejo perpassar as sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.

Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava, ao múrmur das esferas,
A copla tentadora dos amores!

E voava feliz nos ínvios serros
Em pós das borboletas matizadas…
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!…

Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.

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