Em um restaurante no Catete, há um local com um peixinho vermelho. Os fregueses ociosos deram para se agrupar em torno do local, de palito entre os dentes, crivando o proprietário de perguntas.
Cansado de responder às perguntas idiotas, o proprietário tomou um expediente. No dia seguinte, quando os fregueses chegaram, viram pendente ao lado do peixe um cartaz de papelão com as seguintes respostas:
Isto é um peixinho vermelho
Está vivo
É um só
Custou dois mil réis
Comprei-o de um freguês
Não sei onde o freguês o arranjou
Ele nunca morreu
Come o que ele lhe dá
O que está no local é água
A água se apanhada na torneira
Não sei que idade ele tem
Ele está aí desde que o comprei
Tinha outro que morreu
O morto foi atirado ao lixo
Não sei se ele dorme
A água muda-se quando se quer
Não sei quanto tempo ele viverá
A água que ele bebe não se perde
Não sei se ele crescerá
Posso pegá-lo com a mão, mas não gosto
Ele não fala
É tudo que sei a respeito dele
Não é de venda.
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Este texto foi publicado na revista carioca “Careta”, edição de sábado, 9 de janeiro de 1909.
