Moscou está ouvindo especulações sobre preparativos para uma operação terrestre na ilha iraniana de Kharg, mas espera que se limite a palavras e ameaças, disse na quarta-feira a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
“Estamos ouvindo especulações sobre preparativos para algum tipo de operação terrestre na ilha de Kharg, mas esperemos que não passe de conversas e ameaças”, disse Zakharova durante uma coletiva de imprensa.
Os acontecimentos no Golfo Pérsico demonstram que a presença de forças americanas na região apenas cria ameaças adicionais para todos os países ali presentes, acrescentou Zakharova.
Novos apelos por negociações na operação dos EUA contra o Irã podem ter como objetivo criar condições para o reagrupamento de forças, disse Zakharova.
“É possível que a nova rodada de apelos para negociações tenha como objetivo criar condições mais favoráveis para o reagrupamento de forças e o ajuste dos planos militares”, disse Zakharova a jornalistas.
Somente o Irã, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, deve decidir como lidar com seu material nuclear, acrescentou a porta-voz.
Zakharova afirmou que os exercícios militares conjuntos realizados por Washington e Seul na Coreia do Sul em março foram uma preparação declarada para uma guerra.
“Há uma escalada de tensão na península coreana, na parte sul da qual, de 9 a 19 de março, os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizaram mais uma ação militar conjunta… Oficialmente, foi declarada defensiva, porém, a julgar pelo conteúdo das manobras praticadas durante o evento, bem como pelo equipamento militar envolvido, essas manobras, obviamente, nada mais são do que preparativos descarados para a guerra”, disse Zakharova.
Os Estados Unidos reagiram de forma genérica e permaneceram em silêncio em resposta às démarches sobre a inadmissibilidade da transferência de informações de inteligência para Kiev para fins de ataques contra a Rússia, disse Maria Zakharova.
“Temos que admitir que, em resposta às nossas démarches [sobre a transferência de informações para Kiev], o lado americano geralmente se safa com palavras genéricas, ou até mesmo com completo silêncio”, disse Zakharova.
A Rússia dará uma resposta firme se o governo japonês começar a fornecer armas letais e equipamentos militares à Ucrânia, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
“Tudo isso atrasa ainda mais a perspectiva de um acordo na Ucrânia. Nesse sentido, gostaríamos de reiterar nosso alerta de que qualquer tentativa da liderança japonesa de fornecer armas letais e equipamentos militares ao regime de Kiev será percebida pela Rússia como uma ação hostil contra o nosso país. Ela será inevitavelmente seguida por duras medidas retaliatórias”, disse Zakharova.
A detenção do petroleiro Deyna pela França é inaceitável, e a Rússia responderá por todos os meios possíveis a casos de roubo, no interesse da UE e da OTAN, afirmou Maria Zakharova.
“O lado russo considera essas práticas dos países da União Europeia inaceitáveis e uma grave violação da letra e do espírito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. Nosso país utilizará todos os meios políticos, jurídicos e outros à sua disposição para garantir o respeito ao princípio da liberdade de navegação”, disse Zakharova.
A Rússia possui os meios necessários para responder às ações hostis do Ocidente contra seus navios, disse Zakharova. A OTAN e a UE devem entender que os casos de roubo e ilegalidade não ficarão impunes por parte da Rússia, acrescentou o diplomata.
Na semana passada, a Marinha francesa deteve em águas internacionais o petroleiro Deyna, de bandeira moçambicana, que supostamente se dirigia do porto russo de Murmansk, informou a Prefeitura Marítima Francesa para o Mediterrâneo.
