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Sem cérebro é melhor

Tenho escrito uma série de pequenas crônicas aqui no Café Literário sobre “animais estranhos”. Guardo estes seres de um universo curioso para a coluna “Deu no Poste e na Internet…”

Entre as criaturas mais enigmáticas do oceano está a ascídia, também conhecida como “chorrito de mar”.

Esse animal começa a vida como uma pequena larva com cauda e sistema nervoso central, capaz de nadar livremente e se orientar em busca de um local ideal para viver.

No entanto, ao encontrar a rocha perfeita, realiza uma transformação radical: elimina grande parte de seu próprio cérebro e passa a viver fixo, imóvel, filtrando a água para se alimentar.

Esse processo surpreendente garante economia de energia e permite que sobreviva por décadas.

A metamorfose da ascídia tem despertado interesse científico, pois alguns pesquisadores a comparam a um mecanismo de eliminação neuronal programada, trazendo pistas valiosas para estudos sobre regeneração e evolução.

Sinceramente, conheço vários “seres humanos” (inclusive talvez eu mesmo me inclua na lista), que já desenvolveram mecanismo de eliminação neuronal como condição básica para seguir vivendo.

A barra do mundo não está nada fácil; ainda mais com o Trump, Israel, Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Crise energética é fogo!

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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador parente próximo da ascídia, também conhecida como “chorrito de mar”. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.

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