Após as eleições de 2022, viralizou um vídeo que nunca me saiu da cabeça. Nele, eleitores do Maranhão caminhavam longos 25 quilômetros para exercer um direito básico, andavam sob o sol e diziam “aqui são os eleitores do Lula, andando 25km pra ir votar”.
Aquilo não aconteceu por acaso. Hoje sabemos que, naquele momento decisivo, o então diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, utilizou o aparato do Estado para tentar impedir que eleitores de várias localidades do Nordeste chegassem às urnas. Barreiras seletivas, abordagens injustificadas, intimidação. Não foi falha operacional; foi método. Foi abuso de poder. Foi tentativa deliberada de interferir no resultado das eleições.
Ontem, a notícia que circulou foi outra e carregada de simbolismo. Silvinei foi preso ao tentar fugir para El Salvador usando passaporte falso, em um aeroporto do Paraguai. Quem tentou driblar a democracia tentou também driblar a Justiça. Não há coincidência nisso. Há cerca de 10 dias, Silvinei foi condenado há 24 anos e seis meses de prisão, justamente por usar a máquina pública em favor de Jair Bolsonaro, que hoje também está preso.
A prisão não é vingança, é consequência. Um criminoso que atentou contra o processo democrático foi finalmente alcançado pela lei. Tentar impedir eleições livres é um crime gravíssimo, porque atinge o coração da República. Não se trata de esquerda ou direita, de Lula ou Bolsonaro; trata-se do direito de cada cidadão votar sem medo, sem obstáculos, sem coerção.
Quando vejo o vídeo daqueles eleitores caminhando quilômetros sob o sol, penso que a democracia brasileira resistiu porque o povo resistiu. E, quando vejo quem tentou sabotá-la sendo responsabilizado, penso que, a democracia está de pé porque cada um fez o seu papel: a polícia investigou, o judiciário puniu e os eleitores, como aqueles do Maranhão, não desistiram.
