Senti teu tremor como terra em febre,
minhas mãos, rios mansos em tua pele,
num vendaval de anseio que o coração clama,
teu pulso ardia em chama viva ao meu lado,
era o baile da alma, o fogo sussurrado,
e o impulso de colher teu beijo em flor.
Teus olhos mergulharam nos meus, velados de mágoa,
sentiram o vulcão que rugia em mim profundo,
meu peito galopava, selvagem e rendido,
aquele instante primordial dos amantes,
onde a brasa se acende em noite eterna,
e o tempo, traiçoeiro, a deixa em cinzas.
Senti tua essência e uma voz de melodia:”Minha existência será teu alvorecer dourado,
te amarei como viola em seresta infinita,
aguarda que minha luz desperte em ti,
hoje, ferida por invernos de dor, a alma suspira,
não quero que espinhos rasguem nossos jardins”.
As estações rolaram, longas como o horizonte seco,
aquele êxtase sepultado no frio do outono,
nunca mais o sonho brotou em nós,
dias se arrastaram em vazios sem cor,
tu teceste ninho em braços alheios, sem calor,
e eu, ao teu lado com sombras, sorri sob estrelas frias.
