Notibras

Tinteiro

Escrevo-te com o fogo e a água

Escrevo-te no desenho livre das folhas e das sombras

Escrevo-te quando o saber é sabor quando tudo é espera

Vejo a face escura da terra em confins abstratos

Estou perto e estou longe num planeta imenso e deserto

O que procuro é um coração singelo um animal perfeito e suave

Um fruto repousado feito romã

Uma forma que ainda não nasceu

Uma pergunta que ainda não ouvi

Um arabesco de místico desafio

Quem ignora o sulco entre a sombra e a luz?

Lodo e nada, peixe ao sol

Apaga-se um planeta e acende-se uma árvore

As ondas dançam além da embriaguez dos barcos

O vento abriu-me os olhos

Vi a folhagem do céu

O grande sopro transformador da explosão efêmera

Os pulsares e as galáxias

Todas nascendo e morrendo

Reinventando o universo

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Gilberto Motta é escritor e sente a falta daquela caneta Parker e do tinteiro naquela carteira dupla do Grupo Escolar Bartira. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.

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