A Polícia Federal pediu a suspeição do ministro Dias Toffoli no caso que envolve o Banco Master. O pedido ganhou ampla repercussão depois que veio à tona a informação de que, nas investigações, teriam sido encontradas conversas atribuídas a Daniel Vorcaro mencionando pagamentos relacionados ao nome do ministro.
Toffoli reagiu afirmando que se trata de meras ilações e sustentou que a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a suspeição de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Do ponto de vista estritamente processual, o argumento pode até encontrar respaldo formal. A definição sobre impedimento ou suspeição de ministros do STF obedece a regras específicas e não é trivial.
Mas o debate que se impõe vai além disso.
Quando surgem indícios, ainda que iniciais, que associem o nome de um ministro da mais alta Corte do país a conversas sobre pagamentos em meio a uma investigação sensível, o foco deixa de ser apenas quem pode ou não formular o pedido. O centro da questão passa a ser a credibilidade institucional.
O STF é o guardião da Constituição. Sua força não se sustenta em armas nem em votos populares diretos, mas na confiança pública. A imagem do tribunal é um patrimônio democrático. Em contextos de crise, é justamente essa confiança que impede que o país resvale para o descrédito das instituições.
Por isso, mesmo que Toffoli entenda que as acusações sejam frágeis ou infundadas, o afastamento do caso, ao menos até que os fatos sejam plenamente esclarecidos, poderia ser um gesto de responsabilidade institucional. Não se trata de antecipar culpa. Trata-se de proteger a Corte.
Em momentos como esse, o mais alto valor não é o direito individual de permanecer no processo, mas a preservação da integridade do Supremo. Quando há dúvida pública relevante, a prudência fortalece e nunca enfraquece a autoridade de quem julga.
O Brasil já atravessou crises demais envolvendo seus poderes. O STF precisa estar acima de qualquer suspeita. E, diante do que foi divulgado, é a imagem da Corte que está em jogo.
