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Traços de caráter: estratégias emocionais moldam quem nos tornamos

Quando falamos das 5 feridas emocionais, falamos do ponto exato onde algo doeu. Onde a rejeição, o abandono, a humilhação, a traição ou a injustiça deixaram marcas profundas. Agora, nesta nova série, o olhar se amplia.

Se as feridas emocionais mostram onde a dor aconteceu, os traços de caráter revelam como cada pessoa aprendeu a lidar com essa dor para continuar vivendo.

A criança não racionaliza o que sente. Ela se adapta. Cria estratégias emocionais para pertencer, ser aceita e sobreviver no ambiente em que está inserida. Essas estratégias não ficam apenas no campo psicológico elas se registram no corpo, no comportamento, na forma de se relacionar e de enxergar a si mesma.

Existe, sim, uma relação direta entre feridas emocionais e traços de caráter:

Abandono – Traço Oral
A ausência de acolhimento gera a busca constante por apoio fora. A estratégia é depender, agarrar-se ou desistir antes de perder.

Rejeição – Traço Esquizoide
A sensação de não ter lugar leva ao afastamento. A estratégia é se fechar, observar mais do que participar, reduzir o contato para não se ferir.

Humilhação – Traço Masoquista
A dor de ser diminuído faz a pessoa engolir sentimentos. A estratégia é suportar, carregar peso e, muitas vezes, colocar-se em excesso.

Traição – Traço Psicopata (Manipulador)
A confiança quebrada gera vigilância. A estratégia é controlar pessoas, emoções e situações para não ser surpreendido novamente.

Injustiça – Traço Rígido
A rigidez nasce da desigualdade afetiva. A estratégia é buscar perfeição, autocontrole e correção como forma de proteção.

Mas é importante deixar claro: ninguém é um único traço. Todos nós carregamos um pouco de cada um deles. O que muda é qual estratégia se tornou dominante diante das experiências vividas.

Quando esses traços não são reconhecidos, passam a agir no automático, influenciando escolhas, relacionamentos, corpo, saúde e até a forma como a pessoa lida com a comida, o dinheiro e o próprio valor.

É nesse ponto que a terapia se torna fundamental.

O processo terapêutico ajuda a pessoa a olhar para essas estratégias com consciência, segurança e acolhimento. Não para apagar o passado, mas para compreender como ele moldou o presente e, a partir disso, criar novas formas de existir que não estejam baseadas apenas na sobrevivência.

Essa série não nasce para rotular, mas para ampliar a consciência. Porque quando você reconhece seus traços, deixa de se confundir com eles. E quando isso acontece, o corpo começa a relaxar.

Nas próximas cinco semanas, eu te convido para aprofundar comigo nos traços de caráter, pra que você possa entender, se reconhecer e dar nome ao que sempre sentiu, mas talvez nunca conseguiu explicar.

Semana que vem começamos pelo traço oral, aquele que aprendeu a buscar fora o acolhimento que faltou dentro.

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Marina Dutra – Terapeuta Integrativa
Instagram: @sersuperconsciente
E-mail: sersuperconsciente@gmail.com

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