A disputa pelo governo de São Paulo, que até pouco tempo parecia caminhar com relativa tranquilidade para Tarcísio de Freitas, entrou em uma fase mais imprevisível. O avanço de Fernando Haddad nas pesquisas reduziu a distância entre os candidatos e sinalizou uma mudança de humor do eleitorado. Em política, cenários estáveis são raros, e São Paulo, historicamente estratégico, costuma ser terreno fértil para reviravoltas quando menos se espera.
Parte dessa mudança passa diretamente pela atuação de Geraldo Alckmin. Experiente e profundamente conectado ao interior paulista, o vice-presidente tem feito o que sabe fazer melhor: articulação política de base. Ao intensificar o diálogo com prefeitos e lideranças regionais, além de facilitar a liberação de recursos, Alckmin ajuda a construir para Haddad algo que sempre foi seu ponto mais frágil: capilaridade fora da capital. Essa movimentação pode não gerar manchetes diárias, mas produz efeitos concretos e silenciosos nas urnas.
Do outro lado, cresce a percepção de que Tarcísio perdeu parte do protagonismo nacional que impulsionou sua eleição. Sem o mesmo brilho de antes e enfrentando um cenário político mais fragmentado, sua candidatura passa a depender menos de inércia e mais de estratégia.
