Na segunda-feira dia 20/04/2026, estreou o projeto Café com Consciência, um espaço de encontros curtos e diretos que propõem um olhar mais profundo sobre aquilo que muitas pessoas sentem, mas ainda não conseguem nomear.
E o primeiro tema não poderia ser outro: TRAUMA.
Apesar de ser uma palavra cada vez mais comum, ainda existe muita confusão sobre o que realmente é um trauma. A maioria das pessoas associa o termo a grandes acontecimentos como perdas marcantes, acidentes, situações extremas. Mas essa é apenas uma parte da história.
Trauma não é, necessariamente, o que aconteceu. É o impacto emocional que aquilo deixou.
É a forma como uma experiência foi registrada internamente, especialmente em momentos em que não havia maturidade emocional para compreender, elaborar ou lidar com o que estava sendo vivido. E muito são gerados de forma sutil e pode começar a surgir durante a gestação, uma vez que o bebê já é sensível ao ambiente emocional da mãe. Ele não entende racionalmente o que está acontecendo, mas sente. Situações como medo, rejeição, insegurança, solidão ou sobrecarga emocional podem ser registradas de forma inconsciente.
Uma gravidez não planejada, por exemplo, vivida com preocupação ou falta de apoio, pode gerar, mais tarde, uma sensação de não pertencimento. A criança cresce e depois se torna um adulto com a impressão de que precisa provar o tempo todo que merece estar ali. Em outros casos, quando a gestação é marcada por medo constante ou instabilidade, isso pode se manifestar, no futuro, como ansiedade, necessidade de controle ou dificuldade de relaxar.
Depois vem a infância, fase em que a maioria desses traumas se fortalece. E aqui entram situações muito comuns, mas profundamente impactantes.
Imagine uma criança que tinha a presença do pai ou da mãe, mas que, por necessidade, precisou trabalhar muito. Essa criança não entende que aquilo é responsabilidade, esforço ou sobrevivência. O que ela sente é ausência. E o significado que pode ficar é: “eu não sou importante o suficiente”.
Agora pense em uma criança que cresce ouvindo críticas constantes, sendo comparada, ou sentindo que precisa ser “melhor” para ser aceita. Ou aquela que, com a chegada de um irmão, perde espaço, atenção e começa a se sentir deixada de lado. Ou ainda a criança que tenta se expressar, mas é silenciada, ignorada ou invalidada.
Nada disso, isoladamente, parece “grave o suficiente”. Mas quando se repete, marca. E a criança, para continuar pertencendo, faz o que é possível: ela se adapta.
Ela começa a desenvolver comportamentos que funcionam como proteção. Máscaras emocionais que ajudam a lidar com aquela dor.
A criança que se sentiu rejeitada pode se tornar o adulto que faz de tudo para agradar, com medo de não ser aceito.
A que foi criticada pode crescer se cobrando o tempo todo, buscando perfeição para se sentir suficiente.
A que se sentiu ignorada pode aprender a se calar, evitando se expor ou se posicionar.
A que viveu instabilidade pode tentar controlar tudo ao redor, como forma de se sentir segura.
Essas estratégias fazem sentido lá atrás. Elas ajudam a criança a lidar com o que não consegue compreender.
Mas o problema é que elas não ficam no passado.
Elas acompanham a pessoa na vida adulta.
E é aí que começa a confusão.
Porque hoje, já adulto, você sente insegurança, medo de rejeição, dificuldade de se posicionar, necessidade de agradar, excesso de controle, mas não entende de onde isso vem.
É que na verdade o passado não passou completamente. Ele continua ativo, influenciando o presente de forma silenciosa.
E enquanto isso não é visto, continua se repetindo.
Quando você começa a enxergar seus padrões, entender suas reações e reconhecer de onde vem aquilo que você sente, algo muda. Você deixa de agir no automático e começa, aos poucos, a fazer escolhas mais conscientes.
E é nesse ponto que o acompanhamento terapêutico se torna essencial. Porque acessar essas raízes sozinho nem sempre é possível. Existe um caminho para olhar, compreender e ressignificar essas experiências com segurança.
Porque, muitas vezes, o que está travando a sua vida hoje… não começou hoje.
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Acompanhe “Café com Consciência”, toda segunda, às 7h30, no Instagram @sersuperconsciente.
Marina Dutra
Terapeuta Integrativa
sersuperconsciente@gmail.com
