Passado;
eu te deixei repousar como noite vencida,
pois compreendi que tua sombra
me oferecia mais silêncio
do que canções de esperança.
Abri portas e janelas,
permitindo que a luz divina entrasse,
acolhendo novamente o calor
dos afetos que me sustentaram
quando a escuridão parecia infinita.
Não estou mais presa às tuas margens,
o navio partiu sem retorno,
deixando para trás o porto
onde a saudade se confundia com dor.
Hoje caminho em rios de serenidade,
meus horizontes se vestem de eternidade,
e cada amanhecer me encontra
com a presença sagrada
que guia minha alma.
Passado, tu foste apenas
a travessia necessária,
um ciclo que se encerra
para que a alma descubra
sua própria luz.
Agora sigo leve,
com raízes firmes na fé,
com asas erguidas pelo espírito,
sabendo que cada despedida
é apenas ponte que conduz
ao infinito da vida.
