Oração ao horizonte
Abrace com sua imensidão
o meu futuro suspenso,
me mostre a face gentil de seu corte,
guarde em seus limiares
as pérolas de minhas nostalgia,
para que assim eu possa ir adiante
ao invés de querer me deitar
no exílio da gravidade.
Errância
Já caminho no escuro
sem tatear as bordas.
Enxergo (pois o escuro
também sou eu
e tudo o que ali extrapola
vive).
Não fique triste, meu bem
As cidades são uma para cada habitante
e há tantas culturas quanto seres na Terra.
As construções e as destruições
são e serão constantes,
um povoado começa quando você fecha os olhos
e termina quando você os fecha.
Quando você me mostra sua cidade
eu conheço mais de você do que dela,
enquanto ela permanecerá
essa ilha por nós dois intocada.
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Beatriz Ras (1987) é da zona norte do Rio de Janeiro e é graduada em psicologia pela UERJ. Autora de Rasgalume (Pachamama, 2019), Nove Casas (Urutau, 2022) e Exoterra (Urutau, 2025), tem poemas publicados em zines e antologias no Brasil e na Argentina.
