Todo facínora age na calada da noite. O pior é quando esses ataques vêm com a máscara do fascismo. Foi isso que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez na Venezuela na madrugada deste sábado, 3, ao ordenar uma chuva de mísseis contra a capital Caracas e outras regiões do país vizinho. O pretexto é o combate ao narcotráfico na América Latina. Mentira. Tio Sam quer o petróleo e outras riquezas minerais da república bolivariana comandada por Nicolás Maduro. Fossem os traficantes de drogas o principal motivo, por que não incluir como alvos cidades brasileiras como Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo?
Em comunicado oficial, a Venezuela, justificadamente, acusou os Estados Unidos de quererem travar uma “guerra colonial”. O objetivo do ataque “é nada menos que se apoderar dos recursos estratégicos, particularmente petróleo e minerais, tentando quebrar a independência política da nação pela força”, denunciou a chancelaria da Venezuela em um comunicado oficial. Nicolás Maduro, alertando para as consequências desse bombardeio traiçoeiro, enfatizou que Trump não terá sucesso.
“Após mais de duzentos anos de independência, o povo e e o governo legítimo permanecem firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu próprio destino. A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma ‘mudança de regime’, em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores”, diz a nota.
Para a Venezuela, trata-se de “grave agressão militar” perpetrada “pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território venezuelano e seu povo”. Áreas civis e militares foram afetadas em Caracas, a capital, bem como nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
“Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, em particular dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito pela soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força ”, denuncia a chancelaria venezuelana. “Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas.”
Notícias das agências internacionais indicam que as explosões parecem ter ocorrido no sul e leste da capital venezuelana, embora suas localizações exatas não tenham podido ser determinadas imediatamente. Algumas parecem ter ocorrido em Fuerte Tiuna, um grande enclave militar dentro da cidade. Outros relatos e vídeos que circulam nas redes sociais descrevem explosões no Aeroporto de Higuerote, a leste da cidade, e na Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda.
Uma moradora de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas, disse à Agence France-Presse que ouviu explosões no aeroporto e no porto da cidade. Outros moradores relataram explosões em Higuerote, cerca de 100 quilômetros a leste da capital. Em muitos bairros de Caracas, moradores correram para suas janelas e terraços para tentar entender o que estava acontecendo. Há falta de energia em algumas áreas de Caracas.
Em Washington, a autoridade reguladora da aviação civil dos Estados Unidos proibiu que todas as aeronaves civis sobrevoem a Venezuela devido a uma “situação potencialmente perigosa” no país, sem fornecer mais detalhes. A diretiva se aplica a todas as aeronaves civis sob sua jurisdição, ou seja, aquelas registradas nos Estados Unidos.
A primeira manifestação de condenação aos ataques partiu da Colômbia, com o presidente Gustavo Petro postando nas redes sociais a seguinte mensagem: “Alerta global: a Venezuela foi atacada!”, disse. E acrescentou: Caracas está sob ataque neste momento. Alerta global: a Venezuela foi atacada!”. Petro também apelou imediatamente às Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos para que se “reunissem imediatamente”.
Imagens de grandes incêndios com colunas de fumaça circulam nas redes sociais, mas a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital venezuelana, ainda não pode ser determinada. Moradores de diversos bairros correram para as ruas. As autoridades venezuelanas não reagiram com um contra-ataque. Essas explosões ocorrem em um momento em que as forças armadas dos EUA têm atacado embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região nos últimos dias.
Veja os vídeos dos ataques
https://x.com/i/status/2007344063901749365
