Quando ouço Trump dizer que os Estados Unidos terão a Groenlândia “cueste o que custar”, confesso que mergulho numa sensação de mundo virado do avesso. Pode até parecer um cenário de ficção, de roteiro maluco de cinema, mas não temos motivos para descartar a seriedade dessa narrativa porque, nos últimos tempos, Trump tem falado e agido com uma sinceridade impressionante, para o bem e para o mal.
Olho para a política externa estadunidense e vejo um presidente disposto a perseguir metas que, até pouco tempo atrás, muitos julgariam simplesmente absurdas. A ideia de adquirir a Groenlândia, um território soberano, ligado à Dinamarca e à OTAN, não está na esfera do “nunca vai acontecer”: está sendo discutida abertamente, com opções de negociação e com a menção explícita de que, se for preciso, outras vias poderão ser consideradas.
E isso tem consequências concretas. Não acredito que seja apenas retórica. Ao contrário, já posso sentir a Europa se movimentando nos bastidores, recalculando estratégias diplomáticas, reforçando suas alianças e, sobretudo, se preparando para uma eventual reconfiguração da ordem transatlântica. A OTAN, que durante décadas foi um pilar estável de defesa coletiva, hoje aparece fragilizada e debilitada pelo descrédito das partes envolvidas e pelo aparente desinteresse americano em manter os compromissos antigos nos mesmos termos de antes.
Outro ponto que surpreendeu muitos analistas era a ação na Venezuela e a captura de Maduro. Parecia que tudo não passaria de bravatas, de ameaças vazias, um Trump falando alto sem capacidade de realização. Mas, quando isso se concretizou e chocou o mundo, ficou claro que as palavras desse governo pesam tanto quanto seus gestos.
E aí fica a grande pergunta: quando Trump sair do poder, o mundo voltará a ser o que era antes? Quando esse estilo abrupto de liderança e política externa entrar para a história, teremos de fato um retorno ao “normal” anterior ou simplesmente perceberemos que esse novo equilíbrio que se estabeleceu será duradouro? O tempo dirá. Mas, sinceramente, eu duvido que tudo possa simplesmente retroceder como se nada tivesse acontecido. O mundo mudou e talvez para sempre.
