Durante todo o dia de ontem acompanhei com indignação as notícias sobre a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro. E, ao longo do dia, observei atentamente como cada político e personalidade relevante se posicionou diante do ocorrido. O resultado foi revelador e também um verdadeiro show de horrores.
Entre os que se apresentam como alternativas para comandar o Brasil, Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr. apoiaram uma invasão estrangeira e a ameaça explícita à soberania de outra nação. É inevitável perguntar: como esses senhores reagiriam se o mesmo acontecesse com o Brasil? Se uma potência decidisse violar nosso território porque não gosta de quem governa o país?
Quarenta civis foram assassinados pela ação do governo dos Estados Unidos e, ainda assim, Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Ratinho Jr. trataram isso com uma naturalidade perturbadora. Como se vidas civis fossem danos colaterais aceitáveis quando o agressor é uma potência aliada.
Outro apoio veio de fora: Emmanuel Macron, da França, também endossou a ação norte-americana. Mas prefiro me deter nos brasileiros que, diante de tudo isso, se comportaram como cães submissos: Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante (aquele mesmo dos 470 mil), Carlos Jordy, Gustavo Gayer, Carol de Toni, Ronaldo Caiado e Júlia Zanatta alinharam-se sem pudor à narrativa do agressor.
Para eles, parece normal ver o direito internacional ser pisoteado por uma potência estrangeira cujo presidente declarou abertamente ter interesse no petróleo venezuelano. Normalizaram o sequestro de um chefe de Estado, a morte de civis e a violação da soberania alheia, tudo em nome de uma conveniência geopolítica que não disfarça sua face econômica.
Todo mundo sabe que Maduro é um ditador. Isso não está em debate. O que está em debate é algo muito mais elementar: não se sequestra o presidente de um país por discordar dele. Não se invade uma nação soberana porque ela não atende aos interesses de outra. Quando se aceita isso como regra, abre-se a porta para que amanhã o mesmo seja feito conosco. E aí, talvez tarde demais, descobriremos o preço da submissão travestida de pragmatismo.
