“A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos”.
(John LENNON, músico pensador)
Sentado à mesa da mercearia da esquina no centrinho da Guarda, do outro lado vejo a cena que toca as lembranças: a mãe com o bebê no colo.
Penso em Déjà vu, aquela sensação intensa e passageira de que uma experiência nova já foi vivida antes. Pesquiso n Google e lá está:
“D´jà vu: fenômeno neurológico comum – relatado por 70 % das pessoas – onde o cérebro cria uma falsa familiaridade com uma situação inédita; cansaço e/ou pequenas falhas no processamento da memória”.
A ILUSÃO DA MEMÓRIA
Literalmente a sensação é de algo “já visto”. Cientificamente, acredita-se que ocorre um atraso no processamento da memória ou uma “desconexão” momentânea.
O fato é que nesta tarde de domingo calorento e sem vento, o que sinto é mais uma “conexão” do que uma ruptura, uma disjunção entre a situação vivida e a memória.
Mas voltemos ao fato central da crônica: “Olho a mãe com um pequeno bebê no colo”.
Emocionei-me, pois nesses anos em que vivo aqui na Guarda, aprendi que as vizinhanças são amizades eternas.
André e Carol os pais de Cauã, Yasmin e a Maitê, a bebezinha que chegou há cinco meses. E lá do outro lado da rua, agora, vejo o André sentado numa pedra com a Maitê no colo. Lembro de minhas filhas e da pressão do tempo em passar.
André passa Maitê para o colo de Carol, atravessa a tua e vem me abraçar.
A amizade é mesmo o maior bem da vida.
André me diz:
-Gil, a vida parece às vezes que retorna; tudo vai e volta!”.
Pois é, querido amigo André… Talvez seja mesmo o tal do Déjà vu.
Tarde domingueira abençoada e ungida pela memória que, pode dar uns tombos na gente, mas ainda está longe de perder a guerra derradeira para o tempo e o esquecimento.
Que assim seja.
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador. Vive na pequena vila da Guarda do Embaú SC.
