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Um super-herói que é gente como a gente

Foto/Divulgação

Escolado na direção de curtas de terror de baixo custo, o sueco David Sandberg entra no mundo dos super-heróis fazendo comédia em Shazam!, o primeiro longa com o personagem nascido nas páginas de um gibi americano em meados do século passado. O filme, que estreou na quinta, 4, “é a história do garoto de Quero Ser Grande com superpoderes”, resume seu diretor. Sem perceber o tamanho da responsabilidade em ter recursos sobre-humanos, o super-herói vivido por Zachary Levi se diverte mais que Billy Batson (Asher Angel), o adolescente que vive num lar adotivo e é escolhido por um mago para incorporá-lo.

Além de ingenuidades e patetices hilariantes próprias de um menino de 14 anos, as histórias de Shazam! e Quero Ser Grande (1988), dirigido por Penny Marshall e estrelado por Tom Hanks, se assemelham por ter como fio condutor a realização de um desejo pessoal. No caso de Billy Batson, é o de encontrar sua mãe. Pelas reações do público selecionado para ver a produção antes da estreia oficial, esse traço emocional cativa de forma diferente das cenas de ações mecanizadas que se espera de um filme de super-herói. O que acontece com Billy desmonta sua compreensão amargurada de que “famílias são para quem não pode tomar conta de si mesmo”.

Billy é um garoto arredio, que não sabe onde estão seus pais e vive fugindo de lares de acolhimento. Depois de uma briga na escola, ele vai parar na caverna de um mago milenar chamado Shazam (Djimon Hounsou), que está morrendo e precisa encontrar alguém de coração puro para assumir sua luta contra personificações monstruosas dos sete pecados capitais. O mago lhe transmite superpoderes ativados por um relâmpago mágico sempre que ele disser seu nome.

Sem dominar os poderes adquiridos e no início tão atrapalhado que não tem ideia de como fazer xixi com a roupa de paladino, o novo campeão do bem e da justiça terá de combater Thaddeus Sivana (Mark Strong). O vilão (que o público brasileiro conhece como o Doutor Silvana de gibis e séries de TV americanos traduzidos para o português) quer os poderes dele e, para isso, toma como reféns as outras crianças da família adotiva de Billy.

Na entrevista coletiva para a imprensa internacional num domingo de abril, em Nova York, quando começaram a ser exibidos trailers do filme e a circular nas redes sociais elogios de quem o viu em pré-estreias, Sandberg disse acreditar que a resposta positiva a Shazam! se deve ao fato de ser “uma história baseada em gente real, mostrando como é viver nesse mundo de super-heróis, mas onde as pessoas são reais”. A realidade humana que distingue Shazam! da maioria dos filmes de super-heróis se revela no começo da história do personagem principal e seu antagonista. Quando criança, ambos sofreram um trauma envolvendo os pais, por coincidência no momento em que cada um brincava com uma esfera.

Zachary Levi, que ficou conhecido por interpretar o personagem-título na série de TV Chuck, conta que, ao fazer os testes para o filme, não pretendia conquistar o papel-título. Não se achava convincente. Sandberg e o produtor Peter Safran o escolheram ao vê-lo num teste de vídeo para personagens coadjuvantes. “Ele é uma criança grande!” afirma o diretor. “A tendência dos adultos quando tentam fazer crianças é a de simplificá-las, baixar o QI delas. Ele tem um entusiasmo infantil que faz com que se sinta ser uma criança autêntica e não alguém tentando ser uma criança.”

É a segunda vez que Levi interpreta um super-herói no cinema. Em Thor – O Mundo Sombrio e Thor – Ragnarok, ele foi Fandral, um dos guerreiros amigos do deus da mitologia nórdica. “Papéis de super-heróis não aparecem ali na esquina”, diz ele. “Sou muito agradecido, acima de tudo, pela oportunidade de realizar o sonho de ser o Tom Hanks de Quero Ser Grande com superpoderes e também alcançar o meu sonho de ser um super-herói.”

Para o contraponto sinistro de Shazam, Mark Strong era o único que Sandberg e Safran queriam ter no papel. Havia rumores que, para não ficar estereotipado, o ator inglês não pretendia mais fazer vilões como o mafioso Frank D’Amico em Kick Ass – Quebrando Tudo, ou o bandido Archie em RocknRolla – A Grande Roubada. Porém, como ele explica, o que o atraiu foi a possibilidade de trazer para o cinema a própria versão de um Sivana diferente do Shazam original dos anos 1940. Isso porque, com o relançamento das revistas em quadrinhos da DC Comics, em 2011, todos os personagens da editora foram “reiniciados” para ganhar leitores do século 21.

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