Há muito tempo a política brasileira convive com tensões, disputas duras e divergências profundas, isso faz parte da democracia. Mas há uma linha que não pode ser ultrapassada: a da desestabilização institucional. A família Bolsonaro, ao longo dos últimos anos, tem se colocado reiteradamente nesse limite perigoso, alimentando conflitos, questionando regras do jogo e tensionando as relações políticas de maneira contínua. O problema deixa de ser apenas ideológico e passa a ser estrutural, quando a instabilidade vira método.
A declaração recente de Eduardo Bolsonaro é mais um capítulo desse roteiro. Dos Estados Unidos, para onde foi alegando perseguição enquanto responde a investigações no Brasil, ele afirmou trabalhar para que o governo norte-americano não reconheça o resultado das eleições brasileiras caso Flávio Bolsonaro não vença. É uma fala grave, que ultrapassa o debate político legítimo e flerta com a deslegitimação do processo democrático brasileiro no cenário internacional. É uma tentativa de interferência que fragiliza a soberania nacional.
O país precisa fazer uma escolha clara. Democracia não combina com chantagem institucional, nem com a ameaça constante de ruptura. O Brasil já pagou caro demais por períodos de instabilidade e não pode normalizar esse tipo de comportamento. Em nome da paz, da previsibilidade e do respeito às regras do jogo, é preciso dar um basta nas urnas às pessoas e à família que coloca em risco a estabilidade de toda uma nação.
