-Quero o teu verso limpo, exato, como João Cabral de Melo Neto!
-Nossa! Pretensão absurda. Talvez mais um verso sujo com Ferreira Gullar.
-Não. Teu verso-pedra, matemático sobretudo, temático até sangrar.
-Sei não… Não, não pisque, pois meu verso é mais prá Leminski.
-Credo. Agora vem de coisa Pop?
-Apenas escrevo o que vem e sai. Racionalizar dói demais.
E assim foram noite adentro.
E nunca chegaram a lugar algum.
Mas escreveram por madrugadas intermináveis e foram infelizes para sempre.
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*Foto Tasso Scherer.
*Gilberto Motta é escritor, jornalista e escreve na busca do inverso. Vive na Guarda do Embaú SC.
