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Vestiu-se nos trinques, com o traje reservado para os cultos

Na quinta-feira, 30 de maio de 2024, feriado de Corpus Christi, ou dos porcos tristes (o Palmeiras tradicionalmente se dá mal nos jogos da semana, dessa vez, empatou), Joel participou da Marcha para Jesus.

Vestiu-se nos trinques, com o traje reservado para os cultos: terno meio puído mas apresentável, gravata, meia e sapato (nada de sandália de dedo nessa ocasião). Berrou Aleluias até perder a voz e entoou louvores, em êxtase. Só franziu a testa, contrariado, ao escutar alguns comentários preconceituosos e homofóbicos (sempre pintavam alguns).

Domingo, 2 de junho, Joel mudou de programa. Cobriu-se de purpurina e muito glitter e vestiu um biquíni bem pequenininho, socado no rego. E saiu para brilhar na Parada Gay. Sentia-se livre, leve, solto(a,e) e poderoso(a,e). Encontrou amiguinhos(as,es) e alguns bofes bem interessantes, petisquinhos. Mas não estava a fins. Queria mesmo era gritar Aleluias até ficar rouco, dessa vez em homenagem à luta dos irmãos e irmãs do movimento LGBT+.

Lá pelas tantas, em êxtase, começou a entoar louvores. Os mesmos que cantara na quinta-feira. A tigrada LGBT+ não é preconceituosa (não muito, pelo menos), então se limitava a sorrir, diante da óbvia dupla militância de Joel, e a fazer uma pergunta clássica, uma espécie de senha nos círculos do babado:

– Tá boa, santa (o,e)?

Em resposta, Joel sorria, feliz. Sentia-se mesmo santificado(a,e). Sorte dele que o pastor e os irmãozinhos de sua igreja não estavam presentes, ou teriam um peripaco, ou uma peripaca, ou um peripaque, a essa altura, tanto fazia, concordância de gênero politicamente correta era o que menos importava.

E depois, exausto(a,e) e rouco(a,que), foi para casa, deixou a doidivanas Joelza bem quietinha dentro do armário, vestiu cueca, bermuda e camiseta, calçou uma sandália de dedo e tratou de reincorporar o cidadão Joel, cristão fervoroso, homem de bem, macho pra dedéu.

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