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Vira-lata caramelo: de ícone das ruas a patrimônio cultural do Brasil

Eles estão em todas as esquinas, em parques, praias e, infelizmente, em muitos abrigos. O cão caramelo, carinhosamente apelidado de “vira-lata caramelo”, transcendeu sua condição de cão sem raça definida (SRD) para se tornar um verdadeiro símbolo cultural do Brasil. Com sua pelagem característica em tons de marrom-claro e um carisma inegável, esse animal representa a própria diversidade e a “mistura” nacional.

Embora não pertençam a uma raça pura, estudos genéticos mostram que esses animais são uma combinação única de diversas linhagens, com destaque para Pastor Alemão, Pit Bull, Pequinês, Spitz e Galgo, resultando em cachorros extremamente inteligentes e versáteis.

A pelagem caramelo, que cobre a maioria desses cães, é o resultado fascinante da mistura de pigmentos pretos e vermelhos. Fisicamente, costumam ter porte médio e orelhas que variam entre caídas ou em pé, conferindo-lhes uma aparência única e inconfundível.

O caramelo brasileiro é a prova viva de que a mistura gera animais saudáveis e leais, adaptando-se com facilidade a diferentes ambientes e tutores. A sua popularidade é tamanha que a imagem do “cachorro caramelo” tornou-se um ícone da cultura popular brasileira, frequentemente estrelando memes e campanhas nas redes sociais.

A relevância do caramelo chegou ao Poder Legislativo federal e municipal, com projetos de lei que visam tornar o vira-lata caramelo um patrimônio cultural imaterial do país. O reconhecimento oficial busca não só homenagear o animal, mas combater o abandono e os maus-tratos.

Em abril de 2023, o deputado federal Felipe Becari apresentou um projeto de lei para reconhecer a expressão “vira-lata caramelo” como manifestação cultural imaterial do Brasil. A proposta destaca o cão como símbolo de lealdade e diversidade.

A trajetória de valorização do caramelo teve um ponto alto em setembro de 2020, quando protagonizou o anúncio oficial da nota de duzentos reais do Banco Central, após uma forte campanha popular nas redes sociais pedindo sua foto na cédula.

Internautas defendiam que, por estar em todos os lugares, o caramelo simbolizaria melhor o país do que o lobo-guará, escolhido para a nota. O Banco Central, contudo, escalou o vira-lata para estrelar a campanha, reconhecendo sua popularidade.

O compromisso com esses cães também se reflete em iniciativas como o “Dezembro Caramelo”, criado em janeiro de 2022 na Câmara dos Vereadores de Florianópolis para dar visibilidade ao abandono de cães, uma campanha que ganhou força em outros municípios, como São Gabriel (RS) e Saquarema (RJ).

A conscientização ganha força com a campanha #PedigreeCaramelo, que incentiva a adoção responsável de cães Sem Raça Definida (SRD).

O reconhecimento oficial do seu valor cultural atingiu novo patamar em 4 de abril de 2025. Nesta data, o Cristo Redentor foi iluminado com uma projeção especial, abraçando um cachorro caramelo, em homenagem ao Dia Mundial dos Animais de Rua, promovendo a adoção responsável.

A ação no Rio de Janeiro destacou a necessidade de proteção animal, lembrando que caramelo é a cor predominante da maioria dos animais abandonados no Brasil, tornando-os símbolo da causa.

Mais recentemente, em janeiro de 2026, o vira-lata caramelo foi oficialmente reconhecido como expressão de Patrimônio Cultural do estado de São Paulo, através da sanção do projeto de lei 419/2023.

O reconhecimento oficial, que tramita também em nível nacional, visa combater o estigma do abandono e promover o afeto a esses animais, que são os mais comuns nas ruas e abrigos, mas também os mais amados pelos brasileiros.

O vira-lata caramelo é, portanto, muito mais que um cão de rua: é um patrimônio afetivo e cultural que representa a resiliência e a alegria do povo brasileiro.

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Instagram: @leoobernar

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