UM: Você me fez sentir tristeza.
DOIS: Ninguém tem o poder de me fazer sentir nada.
UM: Quando dói, penso em abrir mão do gerenciamento de minhas emoções.
DOIS: Não sou extensão de seu Eu.
UM: Sem empatia?
DOIS: Com empatia: “eu escolho minhas reações”.
UM: Então percebo que “eu me sinto” confuso.
DOIS: Dói muito falar sobre isso?
UM: Dói. E se não for culpa sua é culpa de Fulano.
DOIS: Fulano não está aqui. Por que falar sobre ele?
UM: Por que não falar sobre ele?
DOIS: Como falar é o desafio. Sair da confusão é o seu impasse.
UM: Falar sobre Fulano, aqui e agora é errado?
DOIS: Errado não, e sim evitação.
UM: Percebo o impasse…
Uma encruzilhada confunde o caminhante
DOIS: Uma encruzilhada abre vários caminhos.
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Edna Domenica é cronista e poetisa. Sua escrita aborda temas que valorizam a resistência na guerra cultural pelo direito do livre existir. É autora de “O Setênio” (Tão livros, 2024) e co-autora de “Rapsódia da Rua da Mooca” (Tão livros, no prelo).
